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Realmente nada mais importa!



Para aqueles que gostam de acompanhar séries, seja baixando pela Internet ou vendo pela televisão, Breaking Bad é uma pedida praticamente obrigatória. Essa produção recentemente terminou os seus episódios inéditos pelo canal a cabo AXN e iniciou as reprises desde a primeira temporada (vale lembrar que até a 2ª temporada já chegou ao Brasil) às terças 15 e 21 horas e aos domingos 11 horas. É impossível falar em Breaking Bad e não elogiá-la... e simplesmente não se tornar fã. Esse post deve, portanto, trazer um pouco de tantas qualidades.

Primeiro falemos da sua sinopse: o professor de Química Walter White tem um filho adolescente que sofre ed paralisia cerebral e uma esposa grávida. Quando ele descobre possuir um câncer de pulmão, sua vida se transforma radicalmente e passa a produzir e negociar metanfetamina com um ex-aluno Jesse Pinkman a fim de garantir uma estabilidade financeira para sua família depois que morrer. Essa proposta me atraiu e tive interesse em ver como seria amarrada essa trama, tendo boas expectativas. Não me arrependi.

O seu roteiro traz um inspirador retrato de como a vida corriqueira e extremamente banal de uma típica família de classe média pode sofrer uma reviravolta de grandes proporções dependendo de qual caminho se escolhe para seguir. Acima de tudo, Breaking Bad trata dos efeitos possíveis de ações impensadas ou até mesmo no caso de nosso personagem principal impensadas e também pouco usuais. E a própria expressão que dá nome à série já mostra a ideia chave da produção: uma gíria do sul dos EUA que siginifica desviar-se da direção certa e começar a fazer coisas erradas.

Dentro desse ponto, Walter White aparece como toda a representação de uma vida que por suas escolhas duvidosas caminhou para consequências ainda mais problemáticas. E para reforçar a caracterização de um personagem complexo desde o primeiro minuto que aparece em cena, está a impressionante atuação de Bryan Cranston, já coroada com prêmios no EMMY e no Globo de Ouro, transitando com extrema qualidade entre o sofrimento de sua condição médica e existencial, a completa dissimulação em enganar seus familiares e amigos, a falta de pudores a ponto de apelar para roubos e assassinatos e uma fúria passional, por vezes incontrolada, diante de tantos problemas. Como diz muito bem a abertura do seriado: "Nada mais importa"

Falar em Bryan Cranston e não mencionar os demais atores seria um tremendo erro. Todos eles, desde aqueles mais constantes desde os primeiros episódios como Anna Gunn vivendo Skyler a esposa de Walter, Aaron Paul vivendo Jesse Pinkman, o sócio nesse mundo das drogas e Dean Norris vivendo o cunhado de Walter e agente da DEA, assim como outros que aparecem no decorrer dos episódios, tem sua especial importância para o desenvolvimento da trama. A história, por sinal, consegue se manter bem organizada e com ótimos ganchos para novas situações durante todo o tempo.

Se a 1ª temporada possui um ritmo mais lento com o intuito de apresentar os personagens e toda a lógica da série (mesmo assim é impossível tecer qualquer comentário negativo), o final dessa temporada e a 2ª já se mostram mais alucinantes e frenéticos em termos de conflitos e momentos em que são sentidas as consequências de um estilo de vida "alternativo".

Esse é um breve panorama das 2 primeiras temporadas de Breaking Bad. Esperemos agora que o sucesso de crítica e público façam com que as próximas temporadas cheguem o mais depressa possível ao Brasil, e principalmente, garantam vida longa a Breaking Bad. Uma vida longa e próspera.

And the EMMY goes to...



Enquanto eu assistia a entrega dos EMMY na noite de 29 de agosto, uma coisa não saía da minha cabeça: tentar acertar os vencedores nas principais categorias com meus palpites foi realmante uma decepção, pois meu aproveitamento de acertos foi bem fraco (10 chutes e 2 corretos). Resumindo, tentar prever o que acontecerá nessa premiação é uma tarefa e tanto.

Meus dois acertos foram com Bryan Cranston ganhando melhor ator em drama, o que foi bem merecido, pois assisto Breaking Bad e ele simplesmente dá um show. E também acertei Jane Lynch faturando melhor atriz coadjuvante em comédia.

As outras categorias vão indicando algumas possíveis tendências: Modern Family vem sendo muita elogiada e parece começar a criar uma certa era de dominação, como 30 Rock já fez, graças a suas estatuetas de roteiro para comédia, ator coadjuvante em comédia para Eric Stonestreet e série cômica. Outra dessa tendência seria o contínuo predomínio de Mad Men em categorias drámaticas, uma vez esse seriado levou melhor série dramático e roteiro drama.

No quesito de atuações femininas Archie Panjabi conseguiu superar concorrentes, teoricamente com mais chances de receber o prêmio como Elisabeth Moss de Mad Men e Rose Byrne de Damages, e levou melhor atriz drama. Kyra Sedgwick pode ter sido uma das surpresas dessa edição ao bater Julianna Margulies de The Good Wife e Glenn Close de Damages. E Edie Falco fez história ao ganhar melhor atriz comédia, a primeira mulher a faturar prêmios de atuação em drama e comédia.

No genêro masculino tivemos algumas, de certa maneira, surpresas. Aaron Paul de Breaking Bad, muito bem por sinal, desbancou titãs dos seriados como Terry O' Quinn e Michael Emerson de Lost. Talvez a maior surpresa foi Jim Parsons de The Big Bang Theory ter sido anunciado melhor ator de comédia no lugar de Steve Carrel e principalmente de Alec Baldwin. Surpresa agradáveis, diga-se de passagem.

O que também merece destaque é o que parece ser a crise de 30 Rock. Nenhum prêmio conquistado durante a cerimônia e para piorar baixos índices de audiência e a possibilidade cada vez mais iminente de cancelamento. Pode ser o resultado de uma série que nunca caiu nas graças do povo e só se mantinha pela boa receptividade da crítica. Parece que até esta última está chegando ao fim.

O ponto negativo da apresentação parece estar sendo consenso: o formato da cerimônia não agradou, assim como o Oscar e o Globo de Ouro dos últimos anos. Ritmo lento e piadas sem graça dão o tom ininterruptamente. Para aqueles que esperam espetáculo, resta apenas a necessidade dos fãs de saber se suas séries preferidas conseguirão ganhar alguma coisa.

Domingo 29 de agosto=EMMY 2010




No domingo dia 29 de agosto ocorrerá a entrega dos prêmios do EMMY 2010 para as melhores séries da TV norte-americana. A transmissão será feita pelos canais a cabo AXN e SONY a partir das 20 horas.

Vamos agora analisar algumas das principais categorias e até dar alguns palpites, mesmo que toda de melhores do ano não seja uma unanimidade (por exemplo, Fringe merecia algumas indicações).

Série Dramática:
Lost, Breaking Bad, Dexter, Mad Men, True Blood e The Good Wife

É interessante essa homenagem a última temporada de Lost, mas acredito que a favorita e potencial vencedora é a queridinha da crítica Mad Men, embora a minha torcida vai para a excelente Breaking Bad.

Série de Comédia
Modern Family, Glee, Curb your Enthusiasm, Nurse Jackie, 30 rock e The Office

Acho que a disputa maior está entre a antiga queridinha 30 rock e talvez a atual queridinha Glee (o Globo de Ouro pode ter dado a entender que ela começará a ganhar prêmios). Mas não se pode esquecer Curb your Enthusiasm de Larry David e The Office de Steve Carell.

Atriz-Drama:
Julianna Margulies (The Good Wife), Mariska Hargitay (Law & Order: SVU), Glenn Close (Damages), Kyra Sedgwick (The Closer), January Jones (Mad Men) e Connie Britton (Friday Night Ligths)

Glenn já conquistou duas estatuetas em 2008 e 2009 e não deve levar novamente, Mariska Hargitay já ganhou uma em 2006, então resta as novatas January Jones e Connie Britton e as mais experientes Kyra Sedgwick e Juliana Margulies, sendo que pra mim esta última deve levar.

Ator-Drama
Jon Hamm (Mad Men), Kyle Chandler (Friday Night Lights), Bryan Cranston (Breaking Bad), Hugh Laurie (House), Michael C. Hall (Dexter) e Matthew Fox (Lost)

Embora Matthew Fox tenha ido bem na 6ª temporada de Lost e tenha sido lembrado, não aacho que vá vencer. Outros grandes atores serão apenas coadjuvantes, Michael C. Hall e Hugh Laurie, para a disputa maior entre Jon Hamm e Bryan Cranston. Torço para este último ganhar.

Atriz-Comédia
Lea Michele (Glee), Tina Fey (30 Rock), Toni Collette (The United States of Tara), Edie Falco (Nurse Jackie), Amy Poehler (Parks and Recreation) e Julia Louis-Dreyfus (The New Adventures of Old Christine)

Acredito que a onda chamada Glee não conseguirá faturar esse prêmio. Então a dúvida fica entre Tina Fey já premiada e Toni Collette a última vencedora. Parece que atriz de O Sexto Sentido e Pequena Miss Sunshine continuará como a vencedora.

Ator-Comédia
Larry David (Curb your Enthusiasm), Alec Baldwin (30 Rock), Matthew Morrison (Glee), Steve Carell (The Office), Jim Parsons (The Big Bang Theory) e Tony Shalhoub (Monk)

Nomes de peso na comédia têm poucas chances como Larry David, Tony Shalhoub e Steve Carell. A menos que Matthew Morrison e a emergente Glee sejam uma grande surpresa do EMMY, Alec Baldwin deve abocanhar seu terceiro prêmio consecutivo.

Em outras categorias como Atriz Coadjuvante de Drama há muita disputa e eu aposto Elisabeth Moss de Mad Men; para Ator Coadjuavante de Drama, Terry O´Quinn de Lost; para Atriz Coadjuvante de Comédia, Jane Lynch de Glee; e para Ator Coadjuvante de Comédia, Jon Cryer de Two and a Half Man).

A Lenda de Aang


Hoje é muito difícil encontrar séries de animação que estejam realmente dispostas a contar uma história com começo, meio e fim, fazendo isso da melhor maneira possível. Especialmente para produções dos EUA e Canadá, o que mais se vê são aqueles programas que se prendem sempre às mesmas fórmulas e personagens para trabalharem num espaço bem delimitado e não existe melhor exemplo disso do que Os Simpsons, que tem a única bebê de vinte e dois anos da história.

Particularmente, não acho isso nem um pouco ruim, até porque ainda assisto Bob Esponja e rio do mesmo jeito que fazia com doze anos (se bem que isso pode só querer dizer que eu tenho a idade mental de uma criança de cinco anos). Mas eu sempre adorei a ideia de uma história que evolui e cresce junto com os personagens, que te dê certeza de que quer chegar em algum lugar. Dá pra dizer com consciência limpa que Avatar: A Lenda de Aang não decepciona em nenhum desses pontos.

A animação foi exibida na Nickeloadeon e TV Globo, contando com três temporadas (ou livros: água, terra e fogo) que mostravam aquele enredo clássico da “Jornada do Herói”, ou seja: o protagonista que precisa passar por um caminho inteiro de crescimento e superação para atingir um objetivo. No seriado temos o Avatar, o ser responsável por manter o equilíbrio do mundo (dividido entre quatro povos: tribo da água, nação do fogo, reino da terra e monges do ar), renascendo de diferentes maneiras sempre que a estabilidade dos quatro elementos estiver em risco.

Nesse universo o que trás estabilidade e ao mesmo tempo caos é um tipo específico de poder que certos indivíduos possuem: a dobra, que garante controlar os elementos que dividem esse mundo em quatro. Essa habilidade encaixa diversos estilos de artes marciais com a manipulação desses elementos para serem utilizados em guerras e combates. O Avatar é o único capaz de dominar todos os quatro tipos de dobra.

Na série, a nação do fogo, comandada pelo Senhor do Fogo Ozái, quer destruir o equilíbrio entre os outros três povos, se tornando a única e absoluta. E é dever do Avatar, o monge do ar Aang nessa encarnação, impedir a todo custo que isso aconteça evitando o fim do mundo.

Mesmo com uma trama principal que se baseia completamente em Aang, o que não faltam são personagens tão ou até mais interessantes que o próprio Avatar e que, de uma forma ou de outra, vão acompanhá-lo e ajudá-lo na sua caminhada. Os que mais merecem destaques são a dobradora de água Katara e seu irmão Sokka, presentes do começo ao fim da série; a mestra de dominação de terra Toph, a mais pouco convencional de todos, com certeza (sendo cega ela consegue dobrar terra melhor que ninguém por possuir uma espécie de radar mega sensível que capta vibrações – quase um Demolidor); e Zuko, o príncipe exilado da nação do fogo, que tem uma jornada própria e, ao mesmo tempo, muito ligada à de Aang.

A maneira como esses e muitos outros personagens incríveis (como a irmã e o tio de Zuko) são colocados não atrapalha no desenvolvimento da história, muito pelo contrário, os coadjuvantes estão lá pra funcionar a favor do andamento dos episódios e temporadas, nunca parecendo gratuitos ou desnecessários.

Avatar também é carregado de referências um pouco menos óbvias. Apesar da ação e do humor serem os principais pontos da série, pesquisando e olhando com mais atenção dá pra ver que o seriado é muito mais inspirado em conceitos religiosos e filosóficos do que qualquer outra coisa. A ideia de um ser tanto material quanto espiritual que reencarna de tempos em tempos para combater o mal, por exemplo, é um dos grandes pontos da mitologia budista (Buda seria um Avatar) e hindu (quem se interessar por isso só precisa pesquisar pelo nome Vixnu na internet). Tem momentos em que isso fica claro como quando é mostr

ado como é o processo para descobrir quem é a nova encarnação do Avatar, idêntico ao que se faz com o Dalai Lama. Um episódio inteiro da segunda temporada é recheado de explicações sobre o conceito de chakra, meditação e controle espiritual.

Esses exemplos servem para mostrar que a produção da série estava preocupada em fazer algo divertido e com conteúdo ao mesmo tempo, um cuidado raríssimo de se ver hoje em qualquer mídia.

Só resta então a recomendação máxima para quem se interessar pelo programa. Se você está excitante em correr atrás, faça isso sem medo porque vale muito à pena dar essa chance. Mesmo com uma produção para cinema que não tenha atingido nenhuma das expectativas, a animação ainda está aí como uma referência muito melhor, e eu penso que três temporadas podem contar muito mais e melhor do que duas horas de filme.

Nepotismo? Não! O cara é foda!



Antes que alguém venha falar que Bruno Mazzeo só conseguiu a projeção que hoje ele tem por causa do fato de ser filho de Chico Anysio, deve-se saber o quanto esse comediante vem renovando o humor nacional com extrema qualidade. O humorista, ator e roteirista da nova geração já se destacava fazendo os roteiros de produções de sucesso do homur como Escolinha do Professor Raimundo e Sai de Baixo. Porém, o reconhecimento de seu talento e a consolidação de inúmeros fãs veio com a realização, no Multishow, do sitcom Cilada, em que ele atuou e roteirizou, que após 6 temporadas chegou ao fim, mas ainda pode ser visto no mesmo canal em reprises aos sábados às 22 horas, ou claro, pela Internet.

Esse sitcom também esteve durante o ano de 2009 em 14 episódios como um quadro no programa Fantástico da Rede Globo. Pena que a liberdade criativa de um canal na televisão a cabo não pode ser levada para a TV aberta, onde os cuidados com as piadas chegam ao excesso do chato politicamente correto. Bruno Mazzeo, então, não pode desfilar o seu peculiar humor ácido e inteligente na emissora global.


Mas do que se trata propriamente o Cilada? Para aqueles que ainda nem sequer desfrutaram de um singelo episódio, vai uma rápido comentário do conteúdo do programa: o foco é mostrar como momentos comuns do cotidiano podem ser transformados em situações problématicas, em verdadeiras ciladas. Para isso, em cada episódio são trabalhados temas e ambientes que todos nós podemos vivenciar como uma ida ao teatro, a chegada do Natal ou a reunião para comemorar um aniversário. Nesse esquema, acredito que os melhores episódios são os que falam da morte da tia Dirce, da volta à faculdade ou de erotismo (dentre os três, o destaque não poderia ser outro a não ser o episódio da Morte, simplesmente hilário a ponto de se mijar de tanto rir).

Essa organização durou 5 temporadas. Na 6ª e última temporada, houve alterações no estilo das apresentações: passou-se a mostrar como a vida de solteiro pode ser uma cilada. Para isso, Bruno Mazzeo se envolve, em cada episódio, com um tipo diferente de mulher, desde a Mulher Chiclete, a Mulher com Filho até a Adolescente. Apesar dessas mudanças, a série conservou o seu humor inteligente e cativante.

Dentro dessas temporadas, embora como vimos houvesse modificações, o que se pode notar como um elemento comum é o tipo de humor de Bruno Mazzeo, claramente o sinal de todo o seu sucesso. Ele não se prende ao politicamente correto e a uma comédia escrachada de torta na cara e outras palhaçadas desnecessárias como já se viu muito, quando pode mandar uma piada ácida, brincar com o senso comum, satirizar situações que todos nós podemos passar e claro soltar um palavrão ou algo de humor negro, ele não se priva de preconceitos.

A própria estrutura do seu sitcom ajuda muito. Humor rápido e ágil, convidados especiais bem sintonizados com o propósito do programa e claro a perfomance de Bruno Mazzeo em se transformar nos mais variados e engraçados personagens, desde os fixos e de maior destaque Alexandre Focker (uma paródia de Alexandre Frota) e Albênzio Peixoto (sátira aos antropólogos, vindo sempre com uma explicação confusa), até os eventuais como a Maria do Rosário Albuquerque etc., uma vedete rica que se queixa dos costumes das classes média e baixa.


Fica então aqui a minha dica: todas as produções de humor que aparecerem e contarem com alguma participação de Bruno Mazzeo, seja estrelando, produzindo ou roteirizando, tenha certeza que existe ali uma garantia de qualidade. Portanto, fiquem de olho no seu próximo projeto: o lanaçamento em outubro do filme "Muita Calma Nessa Hora", do qual é roteirista, co-produtor e com uma ponta como ator.

Séries



Dream of Californication

Recomendar alguma coisa é complicado. Quando você conhece a pessoa para quem está sugerindo algo já não é lá muito fácil, para quem você mal conhece é pior ainda. Mas eu vou dar o braço a torcer e falar com toda a (pouca) segurança que tenho: se tem uma série de comédia que deve ser vista, essa é Californication. Isso mesmo, esqueça Friends, Two anda a Half Men ou The Big Bang Theory, parafraseando nosso querido Cap. Nascimento: essas aí nunca serão.

Estrelando David Duchovny, o programa trouxe de volta o agente Fox Mulder do finado Arquivo X com pé na porta e tapa na cara. Com uma premissa muito simples, temos o escritor-de um-livro-só-em-crise Hank Moody, nova iorquino de raiz que tem que se adaptar à terra de marlboro, que é a Califórnia, ao mesmo tempo que tenta conciliar o tempo com a filha, as idas e vindas com a ex-mulher e todas as bizarrices envolvendo sexo, drogas e rock'n roll (tá, talvez só um pouco de rock'n roll) que o Orange Country tem a oferecer.

Ok, história revolucionária? Nem de longe. Mas o mais legal de Californication são seus personagens, fixos ou que aparecem só por um episódio, que dão à série todo um charme próprio e que a diferencia de outras sitcoms mais convencionais. Além disso, por ser exibida nos EUA num canal de TV à cabo, não há muita preocupação em tornar o programa mais digerível para o público regular. Então quando precisa mostrar peitos, cenas de sexo ou alguém gritando fuck quinhentas vezes por segundo, não tem tarja preta ou corte na edição ao melhor estilo HBO.

Como já falei, o que sustenta a série são os personagens e os roteiros de cada episódio servem mesmo para criar a interação entre eles ou colocá-los em situações absurdas. Ao mesmo tempo que Hank é um puta mister nice guy, ele consegue ser escroto a ponto de te fazer rir até chorar e é muito legal ver os altos e baixos, quando ele tenta acertar e às vezes até consegue e quando faz alguma besteira que estraga tudo, sem nunca perder o bom humor e o ar de sacana.

Apesar de ser grande responsável pelo sucesso da série, Duchovny é acompanhado por um elenco com interpretações que dão diferentes diferentes tons à vida de Hank. De um lado temos a parte mais emocional com Becca e Karen, sua única família, e do outro vem a parte mais escrotizada com o empresário Charlie e sua esposa Marcy, aquele casal que parece que anda sempre pelo caminho mais errado e esquisito da rua.

Californication está na sua terceira temporada e é exibido aqui na TV paga pelo Warner Chanel. Não é necessário ver as primeiras temporadas para entender os episódios mais recentes, mas vale muito à pena pegar desde o começo pelo simples fato de que é um programa simplesmente muito foda mesmo.

Séries



Será que o fim está próximo?

No último mês de junho terminou a 6ª temporada de House, transmitida pelo canal a cabo Universal Channel ao vivo às quintas-feiras às 23 horas e em reprise aos sábados às 20 horas. Aproveitando a parada desse seriado, esse post vai refletir um pouco se Dr. House, Wilson, Cuddy e cia. ainda podem fazer render outros anos tão inspirados como foram esses seis até agora.

Apesar de ainda colecionar um grande número de fãs, essa série vem sendo alvo de algumas críticas. Uma delas é o excesso de repetições de uma estrutura narrativa que dizem estar desgastada: em cada episódio aparece um caso misterioso, aparentemente sem solução, que, invariavelmente, é resolvido no final com explicações bizarras. Não posso negar que essa é a base da produção, mas nem por isso uma desvantagem. O seu espírito "sherlockiano" (prestem atenção nas inúmeras semelhanças entre House e Sherlock Holmes, como o nome do homem que atirou no médico chamado Moriarty, justamente o nome do maior inimigo do famoso detetive) com seus médicos se comportando como verdadeiros detetives, que investigam as mais misteriosas doença e um clima de mistério prenderam e despertaram não apenas a minha atenção e curiosidade, mas também a de inúmeras pessoas ao redor do mundo.

Outra crítica passa pelo seu protagonista. Algumas pessoas não mais se satisfazem em ver o ar de superiodade do Dr. House e sua capacidade, dizem forçada e entediante, de resolver sozinho vários casos médicos. Nesse ponto eu discordo fortemente: no personagem principal prevalece nem tanto essa questão anterior, mas sim, o seu humor peculiar, o uso de métodos pouco tradicionais (muitas vezes nada éticos), não confiar nos pacientes e demonstrar respeito zero pela dor de quem quer que seja. Tais características fizeram com que diversos fãs elegessem House um dos melhores personagens da TV (eu sou um deles!).

Mas como um pesonagem tão rude, anti-social e durante muito tempo viciado no medicamento Vicodin faz tanto sucesso? Simplesmente pelo fato de que o médico representa o desejo do público por algo diferente do chatíssimo politicamente correto de outras mídias. Contribuindo para isso, deve-se a brilhante atuação de Hugh Laurie, vencedor de prêmios no Emmy e no Globo de Ouro, na construção de personagem tão singular.

Esses elemento, é verdade, permanecem constantes durante todas as temporadas, porém pode-se perceber algumas novidades muito interessantes. Na 6ª temporada, foram feitos episódios com um formato bem diferente dos outros, como episódios centrados no dia-a-dia de Cuddy e Wilson e o espetacular início da última temporada, mostrando a internação de House numa clínica psiquiátrica.

Além disso, a forma como a 6ª temporada terminou (claro que não vou divulgar nenhum spoiler) deixou uma série de novas situações em aberto que podem ser exploradas futuramente pelos roteiristas. E, obviamente, todas essas situações vão continuar proporcionando momentos inteligentes, divertidos e por vezes emocionantes.

Uma coisa, entretanto, não devemos ignorar: inevitavelmente o fim está sim próximo. Não por um desgaste excessivo da estrutura ou uma queda de audiência, mas sim, porque estamos chegando ao momento crítico de que a história precisa atingir a sua conclusão. Resta aos produtores, roteiristas, diretores e atores preparar o terreno para um desfecho à altura do melhor médico que a televisão mundial já viu.



Séries- Seinfeld

SERENITY NOW!!!


O gênero sitcom é um dos mais populares entre as séries de televisão nesses últimos anos. Pegando dos anos noventa para cá podemos destacar como grandes sucessos de audiência o fenômeno que foi “Friends”, em menor escala “Two and a Half Men” e mais recentemente “The Big Bang Theory”. Não é preciso procurar muito para achar uma pessoa que no mínimo do mínimo nunca tenha houvido falar de um desses exemplos.

As tais comédias de situação (situation comedy=sitcom), no entanto, vão muito além desses representantes mais famosos. Nos longínquos e úmidos confins do espaço tempo já vemos surgindo coisas como “Um Maluco no Pedaço”, “Alfie, o Eteimoso” e “Arnold”. Até uma produção nacional para sitcoms existe já a um tempo com “A Grande Família” e “Os Normais”. Tudo isso e muito mais, serve para demonstrar que o humor dos seriados para TV já vem se desenvolvendo de muito tempo.

Durante décadas viu-se muitos altos e baixos para as sitcoms. Já se apelou para várias temáticas distintas como família, grupo de amigos, ambientações em hospitais, escolas, etc. Mas, quando se fala de qualidade, se pode-se destacar um auge, esse ponto alto é Seinfield.
Falando de entretenimento, ou algum tipo de produção cultural, sempre existem trabalhos que se propõem a alguma coisa. Tem filmes que são feitos para refletir ou só por pura diversão. Há seriados descompromissados e pouco pretensiosos e também há aqueles com uma trama complexa e grandes interrogações até o fim. Qual é a ideia em Seinfield? Simples: ser um “programa sobre nada” (não fui eu quem disse, mas os próprios produtores).

Só isso? É, só isso. Sem histórias complexas, conflitos, romances dignos de novela ou invasões alienígenas. Seinfield é um programa que consegue ser incrível “só” por causa de bons personagens e bons roteiros.
Apesar de não poder discordar da definição principal (a série é realmente sobre nada), acho que vale dizer que, se tem algo além dos protagonistas e da interação entre eles e as situações de cada episódio, essa coisa é somente uma: escrotidão.

Você nunca vai encontrar pessoas tão escrotas em situações merecedoras do mesmo adjetivo quanto em Seinfield. Não é escroto no sentido “gente má fazendo coisas ruins”. Mas sim pessoas comuns sendo detestáveis do jeito que as pessoas o são na vida real e o pior é que não tem como não adorar isso. Na série você não vai encontrar gente bonita e sorridente fazendo tudo por um mundo melhor. O máximo que vai achar é um baixinho gordo e careca que consegue ser estupidamente engraçado de tão ridículo e idiota que é.

Os personagens principais são baseados nos próprios idealizadores da série ou em pessoas com que eles já conviveram. Então temos o comediante Jerry Seinfield (co-criador e co-produtor da série) interpretando a si mesmo, George Constanza representando o também produtor Larry David (do programa Curb Your Enthusiasm), Eleine Benes sendo uma espécie de fusão de ex-namoradas dos dois primeiros e Cosmo Kramer como a representação perfeita do vizinho chato, inconveniente e um dos mais surtados e nonsense de toda a história do programa. Há ainda outros destaques hilários como os pais de George (Estelle e Frank) e o Newman, o vizinho/carteiro/psicopata em potencial de Jerry.

Se não há história propriamente dita é porque não existe necessidade de uma. As coisas vão acontecendo, os fatos vão se desenvolvendo e no final você fica de boca aberta por ver como tudo terminou da maneira mais bizarra e improvável possível.

Em entrevistas, Seinfield e David disseram que a ideia principal deles com a série era criar um programa de que as pessoas fossem falar no dia seguinte ao parar no bebedouro do trabalho para conversar. Não sei se eles conseguiram exatamente isso mas é indiscutível que acabaram criando um fenômeno na televisão que já deve ter gerado muitas conversas além de qualquer bebedouro. Seinfield é muito mais válida de ser assistida do que ser resumida ou explicada porque fazer isso perde um pouco de sentido: falar sobre nada é complicado.

Seinfield tem 9 temporadas, exibidas de 1989 à 1998, todas disponíveis em DVD (dê uma chance).


Séries- Heroes

Como fã de Heroes, agradeço o seu cancelamento

Aproveito que o Universal Channel está reprisando a 4ª e última temporada de Heroes para me propor duas missões: explicar o aparente título contaditório acima e tentar convencer aqueles que não assistiram aos mais recentes episódios... a continuar sem assistir!

A primeira missão julgo ser mais fácil. Para isso, é preciso entender como esse seriado que começou tão bem e conquistou um número considerável de fãs, caiu vertiginosamente de qualidade a tal ponto que não houve outra alternativa a não ser o cancelamento.

A 1ª temporada se iniciou de maneira interessante prometendo um enredo bem amarrado e atraente: pessoas tendo que lidar que com a descoberta de seus super-poderes, a união heróica de personagens com poderes especiais em prol de um objetivo comum (salvar NY de uma tragédia futura) e ligada a esse aspecto, a estrutura narrativa baseada em viagens no tempo empregada sem excessos, as questões sobre a misteriosa Companhia e o vilão Sylar, interpretado por Zachary Quinto, muito bem desenvolvido e rendendo ótimas cenas à la vilão da Disney. Apessar disso, alguns defeitos impediram um maior sucesso: efeitos visuais de menor requinte (olha o eufemismo!) e algumas cenas de ação tão rápidas e instantâneas que chegavam a ser brochantes.

Nas 2ª e 3ª temporadas, porém, o ritmo foi por água abaixo com a manutenção de velhos erros (os efeitos especiais e as cenas de ação) e a chegada de novos erros. Esses últimos erros, no geral, foram se mantendo até o fim e foram a escolha de histórias nem um pouco atrativas, pelo contrário, totalmente perdidas, personagens permanentes transformados em caricaturas ridículas (alguém falou na versão infantilóide de Hiro Nakamura?) e a entrada de novos personagens que não acrescentaram nada (Maya Herrera e Monica Dawson dixem muito sobre isso, não acham?).

Depois de duas temporadas ruins, o lógico seria cancelar uma produção que prometia uma trama sólida, mas, na verdade, se afundou em níveis negativos. Mas, contrariando as expectativas, foi confirmado o quarto ano da série.

Esse quarto ano, então, foi um balaio de gatos sem fim: nossos supostos "heróis" praticamente isolados uns dos outro sem qualquer integração e enfrentando suas crises existencialistas tão bobinhas (Sylar preocupado com a solidão e bancando o herói chegou a dar ânsia de vômito) e uma trama completamente sem sentido, enrolada e que somente nos últimos momentos pode-se entender uma história chatíssima e dispensável. Fiquei tão impressionado negativamente que nem assisti o último episódio. Será que algum dia eu verei para saber qual final ruim deram a quarta temporada? Tenho lá minhas dúvidas!

Posso agora explicar o porquê do título. O cancelamento de Heroes quase chegou num momento em que eu não me lembraria mais que esse seriado foi bom num dia longínquo da história. Ainda que bem consigo me lembrar com nostalgia daqueles tempos que não voltam mais.

Ah! A minha segunda missão! Quase ia me esquecendo. Não tenho a pretensão de determinar o que as pessoas verão ou deixarão de ver, mas posso, ao menos, dar um conselho: para aqueles que não viram, façam outra coisa, saiam com os amigos, se divirtam de outras maneiras porque Heroes não diverte mais.

OBS: Os produtores da série estão tentando levar ao ar um episódio que fecharia por completo a série, mesmo com o cancelamento. Será que é preciso todo esse esforço? Volto a repetir: tenho lá minhas dúvidas!



Séries- Lost

Existe vida após Lost?

Terça-feira, 25/05/2010: o dia mais contraditório da minha vida. A data que eu, ao mesmo tempo, vibrei e lamentei por ter passado. Nesse dia, Lost encontrou o seu final.

Foram 6 temporadas revolucionando a TV mundial e conquistando fãs pelos 4 cantos do planeta com suas originalidades e surpresas. Foi absolutamente magnífico acompanhar o aparecimento de tantos mistérios e acreditar em explicações cada vez mais bizarras, tudo isso a partir da mente criativa dos criadores Jeffrey Lieber, Damon Lindelof e J.J. Abrams.

Também foi magnífico acompanhar a força dramática presente no seriado com cenas tremandamente intensas e consequências ainda mais impactantes. Como esquecer o nascimento de Aaron e as mortes de Charlie e Juliet. É impossível não ter essas imagens gravadas na mente.

Vale ressaltar, então, o formato como esses mistérios e dramas foram organizadas. A estrutura narrativa altamente marcada por flashbacks, flashforwards e realidades paralelas inseridas junto ao tempo presente podem até parecer clichês, utilizada já exaustivamente pela ficção, entretanto enriquecem a trama e criam um panorama estrutural e temático complexo e interessantíssimo.

Outro elemento a ser considerado é o tema desta produção. Ela não é somente um punhado de enigmas a serem resolvidos, ou uma luta entre o Bem e o Mal, mas também uma história sobre pessoas que buscam um rumo para suas vidas (note que todos os sobreviventes do acidente aéreo não viviam fora da ilha de maneira satisfatória).

Toda essa rede de aspectos não se manifesta por tanto tempo sem as grandes atuações. Podemos citar desempenhos brilhantes e composições muito bem construídas de personagens repletos de nuançes e camadas dramáticas tão diversas: a sempre competente Elizabeth Mitchell como a Juliet; Josh Holloway vivendo dois Sawyers diferentes (na 1ªtemporada, sarcástico e difícil de se conviver; a partir da 5ªtemporada, líder e comprometido); Michael Emerson como Bejamin Linus, provavelmente o personagem mais complexo da série, um "vilão" às avessas; Terry O'Quinn interpretando dois tipos de Jonh Locke (sem maiores comentários, ou soltarei spoilers)...

Nem tudo são flores, todavia, em Lost. Alguns poucos defeitos podem ser percebidos, como Rodrigo Santoro e uma 3ªtemporada menos inspirada (ruim, não, porque dizer isto seria uma heresia). Se, então, colocarmos numa balança, os acertos superam facilmente os erros e o saldo fica mais do que positivo.

Enfim, o término de Lost deixa a TV mundial orfã de grandes e originais histórias. Apesar disso, vale a pena cultivar uma certa esperança de que a resposta à pergunta com a qual abri o texto seja um sim.







 
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