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Edward Mãos de Tesoura



Tim Burton é um cara muito estranho...Quero dizer, não estranho do jeito óbvio que ele é, mas é muito bizarro ver a lista de filmes do diretor. Ele parece se dividir entre trabalhos totalmente autorais, que parecem que carregam sua assinatura em cada cena, e outros filmes que parecem meio que encomendados (algo do tipo: paguei a reforma da cozinha dirigindo Planeta dos Macacos). Mesmo que hoje seja muito questionado pelas suas produções mais recentes, é inegável que, no começo da carreira de Burton, uma coisa que não se podia criticar era a qualidade dos seus filmes. E não tem melhor exemplo que isso que Edward Mãos de Tesoura.

Particularmente, eu sempre achei muito complicado classificar essa que, para muitos, é a obra-prima de Tim Burton. Já ouvi e li chamarem o filme de “fábula gótica”, “fantasia com toques de terror” e até “crítica à sociedade norte-americana de classe média”. Acho que dizer que Edward... não é nada disso é exagero, talvez seja essas três coisas juntas e muito mais ou pode ser o que qualquer um quiser. Mas acho que, acima de tudo, nesse seu primeiro grande sucesso como diretor, o maluco despenteado consegue acertar todas as vezes.

A premissa não tem muita coisa de original. Temos o estranho que chega na cidade mais irritantemente normal e American Way of Life do subúrbio norte-americano. Lá ele começa deslocado, depois todo mundo se encanta com a esquisitice e por último é jogado fora e ignorado pelas mesmas pessoas que antes o colocaram no centro do mundo (nada mais clássico do ser humano). Nesse meio período ele encontra um grande amor, amigos e um inimigo pra enfrentar. Simples assim e melhor impossível.

Nesse meio temos personagens muito bem colocados e apresentados, mas nenhum que se iguale ao próprio Edward. Johnny Depp com certeza fez coisas incríveis depois, mas parece que ele despendeu um carinho especial na hora de criar o Mãos de Tesoura. Digo isso porque em nenhum momento coisas como as tesouras, as roupas ou a pele pálida cheia de cicatrizes chegam a se sobressair sobre a interpretação de Depp, essa sim o grande trunfo e diferencial do filme junto com todo o background do personagem que, apesar de não fornecer explicação nenhuma (a criação de um cientista maluco para ser o filho perfeito...porra Tim Burton!), o torna mais apaixonante ainda.

Se já nos seus primeiros curtas e longas metragens, Burton se diferenciava por uma direção artística e ambientação muito particulares, dessa vez ele atinge o equilíbrio que sustenta em seus filmes até hoje. É impossível pensar naquele estilo “gótico encontra a terra do pirulito” e não associar diretamente ao diretor, que conseguiu levar isso até para filmes mais comerciais como os dois Batman que dirigiu. Para quem gosta de estudar esse lado mais voltado para plástica e estética dos cenários e caracterizações, é muito legal ver toda a inspiração que Burton tira do expressionismo alemão (O Gabinete do Doutor Caligari, Nosferato e alguns outros).

Pros fãs de listas de “filmes obrigatórios”, Edward com certeza entra fácil, fácil em uma dessas. Antes do senhor Burton se empolgar e exagerar com os Alices da vida, as histórias e personagens bizarros e a palheta de cores infinita eram garantia de filmes excelentes. Viver do passado pode não ser a melhor coisa do mundo, mas com certeza pode te fazer esquecer algumas besteiras do presente.

Um novo Brasil



O Mundial masculino de Basquete disputado na Turquia chegou ao fim no último domingo, no dia 12 de setembro, com surpresas, decepções e confirmações como toda competição que se preze. Canadá e Porto Rico podem ser considerados as decepções pelas precoces eliminações na 1ª fase mesmo tendo boas equipes; Lituânia e Eslovênia foram boas surpresas, a primeira sendo convidada ganhou a medalha de bronze e a segunda eliminada nas quartas-de-final pela Turquia; e claro uma confirmação foi o título dos EUA, que embora não tendo levado sua seleção principal foi muito bem representada por um time jovem e de muita qualidade com destaque para Kevin Durant.

Mas, esse post vai se concentrar mais na campanha do Brasil. Antes do início do torneio a perspectiva não era das melhores: os últimos desempenhos brasileiros em Mundiais foram negativos com atuações abaixo da média e faz precisos 14 anos que o nosso país disputava pela última vez uma Olímpiada (Atlanta 1996). Contudo, sobretudo graças à chegada do técnico argentino Rubén Magnano, o trabalho melhorou e, pode-se dizer, que os resultados qualitativamente avançaram.

Vendo friamente o resultado não avançou tanto, afinal em outras edições do Mundial o Brasil já chegou às oitavas-de-final. Foram as atuações que mostram como o trabalho está se desenvolvendo. Nas duas primeiras partidas contra seleções mais fracas, Irã e Tunísia, não se construi uma vantagem compatível com a diferença entre as equipes; contra os EUA, a seleção apresentou um grande jogo e equilibrado, perdendo apenas por detalhes; contra a Eslovênia o apagão do segundo quarto prejudicou qualquer possibilidade de vitória; e contra a Croácia houve a melhor perfomance do time brasileiro, garantindo a classificação em terceiro lugar para a fase seguinte. As oitavas-de-final marcaram o confronto com a rival Argentina. Nesse jogo, a seleção brasileira até se esforçou para se superar e fez um jogo bem equilibrado, porém não conseguiu marcar o destaque argentino Scola e perdeu por 93 a 89.

Analisando coletivamente o Brasil, houve sensíveis evoluções: percebe-se agora um trabalho mais organizado de armação das jogadas e estratégias mais bem traçadas de ataque e defesa. Quanto as participações individuais dos jogadores, aparceu algumas irregularidades como os bons momentos de Thiago Splitter e Marcelinho Machado e principalmente nosso melhor jogador o Marcelinho Huertas, ao mesmo tempo que outros jogadores não mostraram todo o seu potencial como Leandrinho e Guliherme Giovannoni.

Colocando na balança as maiores virtudes e maiores defeitos da campanha brasileira, acredito que o saldo tenha sido positivo. O papel da seleção ainda não atingiu um patamar de grande desenvolvimento como é o caso da Argentina, mas as melhorias, que nos colocam num nível intermediário do basquete internacional, já existem. Deve-se agora continuar o projeto com o técnico argentino Rubén Magnano, porque esse já vem se mostrando ser o caminho certo a seguir. Um bom resultado já veio, falta dar continuidade a isso e traçar planos para desenvolvimentos ainda maiores com resultados dignos de um grande país como o nosso.

Uma boa oportunidade para elevar o trabalho de resgate do basquete brasileiro será o Pré-Olímpico que será disputado na Argentina. O título dos EUA nesse Mundial e sua consequente classificação para as Olímpiadas podem facilitar o caminho do Brasil na tentativa de voltar a disputar os Jogos Olímpicos, já que nossa seleção poderia ocupar uma das vagas disponíveis junto com a Argentina. A dificuldade seria outras seleções que poderiam ocupar essas vagas como Canadá, Porto Rico e República Dominicana. Bem teremos que esperar para conferir se a evolução do Brasil pode tornar ou não esse caminho de volta para as Olímpiadas mais fácil.

O Novo Midas de Hollywood



Podem me chamar de fã boy ou qualquer outra coisa, mas defendo a tese de que J.J. Abrams, atualmente, é o cara de Hollywood: tudo que ele faz dá certo. Ou melhor, sem cair em generalizações que levam a exageros acríticos, a maioria do que ele faz é de extrema qualidade porque todos nós estamos sujeitos a alguns erros e derrapadas. E este post é para aqueles que concordam com isso ou com quem precisa prestar mais atenção no sr. Abrams.

Antes de vender o meu peixe, um rápido quem é ele. Jeffrey Jacob Abrams nasceu em 27 de junho de 1966 em Nova York e criado em Los Angeles. É produtor de cinema e televisão, escritor, compositor e ator. Ele já fez muita coisa, como o roteiro de Armageddon e atuações em filmes como Diabolique, mas o que quero mesmo é selecionar cinco exemplos de como J.J. Abrams vem desenvolvendo ótimos projetos: no campo das séries Lost e Fringe e no cinema Star Trek, Cloverfield-Monstro e Missão Impossível 3.



Lost: Uma das melhores séries dos últimos tempos. Apesar de sofrer críticas dos fãs em relação ao seu desfecho (com as quais eu concordo em parte, afinal acho que o final merece apenas uma nota 6, passável mas sem louvores), a proposta que permeou as seis temporadas foi de uma originalidade e criatividade ímpar: mistérios incríveis, clima de suspense e tensão bem desenvolvidos, personagens muito bem construídos e interessante estrutura narrativa de continuidades da história, flashbacks e flashforwards. J.J. Abrams foi um dos criadores, escritores, produtor executivo e diretor.

Fringe: Contém elementos de Arquivo X e Lost. Embora sua audiência não seja das melhores, apresenta uma história cativante para os fãs da ficção cientifíca ou para aqueles que buscam boas histórias. Consegue discutir muito bem os limites entre ficção e realidade, apostando em casos que misturam a ciência e o sobrenatural, além de personagens de grande complexidade como Olivia Dunham e Dr. Walter Bishop. J.J. Abrams foi um dos criadores, escritores e o produtor executivo.


Star Trek: Retoma a clássica série de forma extremamente convincente, agradando tanto fãs de carteirinha como os leigos. Muito boa interação entre os personagens da tripulação, efeitos visuais de grande qualidade e combates dirigidos de maneira impecável. Recomeçar a história poderia ser um tiro no próprio pé, mas o modo como foi contada a trama deixa todos os espectadores empolgados e concentrados até a chegada dos créditos finais. J.J. Abrams dirigiu e produziu.


Cloverfield- Monstro: Não deve ser levado a sério como uma grande obra do cinema, complexo e cheio de significado, mas sim como uma forma de diversão e entretenimento pura. Para isso, a perspectiva de acompanhar os fatos a partir da camêra usada pelos protagonistas bem ao estilo As Bruxas de Blair é muito legal. Essa atitude deixa um forte clima de tensão e alguma dose de originalidade para se acompanhar um filme montro/destruição bem empolgante. J.J. Abrams produziu.


Missão Impossível 3: Depois do erro que foi Missão Impossível 2, o terceiro da franquia veio para trazer a trama de volta aos eixos. Boa conexão entre a ação e os momentos de maior tensão com aqueles de desenvolvimento da história e dos personagens. Embora alguns pontos do roteiro deixem a desejar, como o tosco final, vale a pena conferir um bom filme de espionagem. J.J Abrams foi um dos escritores e o diretor.


Outros trabalhos de J.J. Abrams não tive grande contato, mas pelo que se comentam Felicity e Seis Graus de Separação foram seus projetos mais fracos, críticas muito mais negativas e os menores índices de audiência e Alias foi o seu primeiro sucesso e boas receptividade entre o público e a crítica.

Fica aí então a homenagem a um dos maiores trabalhadores atualmente de Hollywood, seja dirgindo, escrevendo ou produzindo e a úlitma dica: o próximo projeto dele deve ser Super 8, o até então misterioso trabalho de poucas notícias que será produzido por Steven Spielberg. Confiram esse e as demais empreitadas do sr. Abrams tendo em mente que serão mais de 50% as chances de você gostar do que estiver vendo.

Star Trek


O termo reboot vem sendo muito utilizado nos últimos 5 anos para uma prática comum do cinemão de Hollywood. Quando um estúdio tem uma franquia e não sabe bem o que fazer com ela, quais são as opções? Tentar desenvolver melhor as ideias dos filmes já feitos, chamando gente competente para trabalhar na produção e direção? NOT! O mais comum mesmo é reiniciar o PC e começar tudo do zero, podendo abrir espaço pra coisas boas ou para verdadeiras bombas. Essa “política” já teve vários alvos: ícones do terror como Fred Kruger e Jason indo até o Batman são exemplos de fracassos e sucesso. Na ficção científica, se tem um reboot que merece uma salva de palmas em pé, esse é Star Trek.


O ano de 1966 marca uma momento histórico para a televisão e o gênero sci-fi. Quando a Série Clássica de Star Trek chegou às televisões norte-americanas, trouxe junto consigo coisas muito mais importantes do que efeitos especiais ridículos e maquiagem tosca. Afinal, em plenos anos de Guerra Fria, um programa que mostra personagens tão diferentes de tantas formas possíveis (temos russos, americanos, asiáticos, negros e alienígenas dividindo espaço na USS-Enterprise), não pode ser classificado como convencional. Começando a partir daí como um fracasso de público para depois virar cultuada, o que manteve a série viva foi uma fiel base de fãs que sustentou as três temporadas e outros seis filmes com Capitão Kirk e sua tripulação na sua missão de 5 anos indo até onde homem nenhum jamais esteve.

Depois vieram outras encarnações da série como A Nova Geração, Deep Space Nine, Voyagers e muitas outras, umas conquistando um maior sucesso e outras fracassando no objetivo de manter a longevidade da série. Chegamos assim nos anos 2000 com uma franquia praticamente morta, só sustentada mais uma vez por uma base de admiradores fiéis de histórias que já não atingiam o público atual. Tudo isso muda quando chega J.J. Abrams com um projeto para ressuscitar o nome Star Trek nos cinemas.


Com todas as pompas de superprodução, a proposta de revisitar os personagens clássicos, mas com mudanças significativas na maneira de tratar a mitologia da saga conseguiu agradar trekkers e não-trekkers (algo louvável diga-se de passagem).

O filme mostra o começo de Jim Kirk, Spock e McCoy na Frota Estelar a bordo da Enterprise. Porém, muito mais do que atualizar as histórias já contadas na televisão, o roteiro de Roberto Orci e Alex Kurtzman abre uma nova gama de possibilidades para a franquia. Como? Usando o recurso mais batido e eficiente que se poderia usar: viagem no tempo. O grande vilão do filme é o Capitão romulano Nero que teve seu planeta natal destruído e culpa os membros da USS por isso. Então o que ele faz? Volta no tempo (!) para pegar Kirk, Spock e cia. no momento que eles menos esperam (literalmente). Só que ao fazer isso o próprio Nero provoca alterações na linha temporal que criam toda uma nova realidade para os personagens do filme (para saber mais é só pesquisar por Teoria das Cordas no Google ou Wikipedia). Fazendo isso, Abrams se livrou da obrigação de ter que seguir perfeitamente toda a continuidade da Série Clássica, garantindo liberdade agora e nas sequências para contar histórias novas e independentes.

E apesar de algumas saídas muito fáceis e gratuitas no roteiro, todo o desenvolvimento do filme é excelente. Tanto aqueles que conhecem quanto os leigos vão adorar os protagonistas e a interação entre os principais membros da tripulação. Os efeitos especiais são um show a parte, dando para ver todo o esmero e cuidado na hora de criar a ambientação e as cenas de batalhas entre naves. Para os fãs fica só uma expectativa maior para ver o que a equipe de J.J. reservou para as continuações (com certeza não sou só eu que quer ver klingons em Star Trek 2 – também conhecidos como os espartanos do espaço).

Mesmo que esse post só seja uma desculpa para fazer um mini-especial sobre J.J. Abrams (ordens do chefe), fica mais do que recomendado, para os que ainda não tiveram chance ou interesse em assistir, esse retorno grandioso de Jornada nas Estrelas à fronteira final.

Os olhos que não dormem



O futuro é uma boa forma de expressarmos nosso estado de espírito. Pensar e imaginar o amanhã sempre foi o meio que encontramos para materializar os medos, expectativas e incertezas que vivemos no presente, não deixando também de ser um ideal que queremos alcançar ou um inferno que gostaríamos de evitar. Acima de tudo, eu acho que o futuro que escolhemos “prever” está nas nossas cabeças.

George Orwell pode não ter sido um oráculo de Delfos, mas o futuro que ele criou nos dizia muito mais sobre o seu presente do que se poderia esperar. 1984 é o ano e o título do livro onde se passa a história de Winston Smith. Num mundo onde o Socialismo está cada vez mais expandido e distorcido, a Oceânia (equivalente a nossa Inglaterra) existe sobre o controle total do Grande Irmão e de seu Partido. Winston não tem outra escolha senão ser mais uma das engrenagens dessa sociedade, onde pensar e sentir são os piores pecados que se pode cometer. Mas a sua história é a de alguém que silenciosamente luta contra esse terror e ele vai tentar recuperar sua vida e humanidade da maneira que puder, seja através de um caso de amor sem esperanças ou fazendo parte de uma revolução que talvez nem exista. Porém, não lhe resta muito além de esperança para fazer isso. Afinal existe um fato do qual não se pode escapar : “o Grande Irmão está de olho em você.”

É muito difícil pensar em 1984 sem notar o momento e por quem ele foi escrito. George Orwell foi testemunha participante de um momento em que as ideias em que ele acreditava sincera e intensamente estavam sendo completamente desvirtuadas. Como um socialista auto-proclamado dissidente, nada mais desesperador para ele do que ver suas crenças se manifestarem nos horrores do stalinismo e nas contradições do Partido Trabalhista Britânico. Projetando isso algumas décadas no futuro, no ano de 1984, temos uma mostra da grande desilusão do autor com o rumo de que sua época estava tomando.

Se a obra de Orwell é chamada de clássico moderno, não é por ser uma espécie de premonição na forma de livro. Mesmo sendo um trabalho de ficção, existe muita sensibilidade e honestidade da parte do autor, que nos diz muito sobre si mesmo através dos personagens e da narrativa. Além disso, só por ser um livro ainda tão fortemente vivo e presente na cultura de hoje demonstra que não somos completamente indiferentes aos medos e pensamentos do autor. Na verdade, dá até para dizer que compartilhamos alguns deles.

A maneira como a influência de 1984 ainda é sentida pode ser vista nos termos e expressões do livro que passaram a fazer parte, direta ou indiretamente, do dia-a-dia das pessoas. A ideia de duplipensamento (a contradição consciente) e o Grande Irmão (Big Brother) estão jogados no cotidiano das mais diversas formas: em reality shows, filmes, quadrinhos e conversas de bar. Não existe maior exemplo desse alcance do que no sucesso estrondoso do primeiro Matrix, que dentre muitas coisas se baseia muito nos conceitos de 1984, produzindo discussões e debates que só servem para provar o quanto o livro é atual e relevante.

Justamente por essa longevidade que o trabalho de Orwell pode tranquilamente (e com muitas recomendações) ser lido hoje ou amanhã. Se você quer uma excelente história, muito bem contada e construída, ou uma reflexão mais profunda sobre o tempo em que o autor viveu, o Grande Irmão te entrega essas duas coisas, sem nem precisar piscar.


1984, de George Orwell, pode ser encontrado em livrarias numa edição da Companhia das Letras. Esse texto foi baseado no posfácio de Thomas Pynchon, da mesma edição, para ser escrito.

And the EMMY goes to...



Enquanto eu assistia a entrega dos EMMY na noite de 29 de agosto, uma coisa não saía da minha cabeça: tentar acertar os vencedores nas principais categorias com meus palpites foi realmante uma decepção, pois meu aproveitamento de acertos foi bem fraco (10 chutes e 2 corretos). Resumindo, tentar prever o que acontecerá nessa premiação é uma tarefa e tanto.

Meus dois acertos foram com Bryan Cranston ganhando melhor ator em drama, o que foi bem merecido, pois assisto Breaking Bad e ele simplesmente dá um show. E também acertei Jane Lynch faturando melhor atriz coadjuvante em comédia.

As outras categorias vão indicando algumas possíveis tendências: Modern Family vem sendo muita elogiada e parece começar a criar uma certa era de dominação, como 30 Rock já fez, graças a suas estatuetas de roteiro para comédia, ator coadjuvante em comédia para Eric Stonestreet e série cômica. Outra dessa tendência seria o contínuo predomínio de Mad Men em categorias drámaticas, uma vez esse seriado levou melhor série dramático e roteiro drama.

No quesito de atuações femininas Archie Panjabi conseguiu superar concorrentes, teoricamente com mais chances de receber o prêmio como Elisabeth Moss de Mad Men e Rose Byrne de Damages, e levou melhor atriz drama. Kyra Sedgwick pode ter sido uma das surpresas dessa edição ao bater Julianna Margulies de The Good Wife e Glenn Close de Damages. E Edie Falco fez história ao ganhar melhor atriz comédia, a primeira mulher a faturar prêmios de atuação em drama e comédia.

No genêro masculino tivemos algumas, de certa maneira, surpresas. Aaron Paul de Breaking Bad, muito bem por sinal, desbancou titãs dos seriados como Terry O' Quinn e Michael Emerson de Lost. Talvez a maior surpresa foi Jim Parsons de The Big Bang Theory ter sido anunciado melhor ator de comédia no lugar de Steve Carrel e principalmente de Alec Baldwin. Surpresa agradáveis, diga-se de passagem.

O que também merece destaque é o que parece ser a crise de 30 Rock. Nenhum prêmio conquistado durante a cerimônia e para piorar baixos índices de audiência e a possibilidade cada vez mais iminente de cancelamento. Pode ser o resultado de uma série que nunca caiu nas graças do povo e só se mantinha pela boa receptividade da crítica. Parece que até esta última está chegando ao fim.

O ponto negativo da apresentação parece estar sendo consenso: o formato da cerimônia não agradou, assim como o Oscar e o Globo de Ouro dos últimos anos. Ritmo lento e piadas sem graça dão o tom ininterruptamente. Para aqueles que esperam espetáculo, resta apenas a necessidade dos fãs de saber se suas séries preferidas conseguirão ganhar alguma coisa.

Domingo 29 de agosto=EMMY 2010




No domingo dia 29 de agosto ocorrerá a entrega dos prêmios do EMMY 2010 para as melhores séries da TV norte-americana. A transmissão será feita pelos canais a cabo AXN e SONY a partir das 20 horas.

Vamos agora analisar algumas das principais categorias e até dar alguns palpites, mesmo que toda de melhores do ano não seja uma unanimidade (por exemplo, Fringe merecia algumas indicações).

Série Dramática:
Lost, Breaking Bad, Dexter, Mad Men, True Blood e The Good Wife

É interessante essa homenagem a última temporada de Lost, mas acredito que a favorita e potencial vencedora é a queridinha da crítica Mad Men, embora a minha torcida vai para a excelente Breaking Bad.

Série de Comédia
Modern Family, Glee, Curb your Enthusiasm, Nurse Jackie, 30 rock e The Office

Acho que a disputa maior está entre a antiga queridinha 30 rock e talvez a atual queridinha Glee (o Globo de Ouro pode ter dado a entender que ela começará a ganhar prêmios). Mas não se pode esquecer Curb your Enthusiasm de Larry David e The Office de Steve Carell.

Atriz-Drama:
Julianna Margulies (The Good Wife), Mariska Hargitay (Law & Order: SVU), Glenn Close (Damages), Kyra Sedgwick (The Closer), January Jones (Mad Men) e Connie Britton (Friday Night Ligths)

Glenn já conquistou duas estatuetas em 2008 e 2009 e não deve levar novamente, Mariska Hargitay já ganhou uma em 2006, então resta as novatas January Jones e Connie Britton e as mais experientes Kyra Sedgwick e Juliana Margulies, sendo que pra mim esta última deve levar.

Ator-Drama
Jon Hamm (Mad Men), Kyle Chandler (Friday Night Lights), Bryan Cranston (Breaking Bad), Hugh Laurie (House), Michael C. Hall (Dexter) e Matthew Fox (Lost)

Embora Matthew Fox tenha ido bem na 6ª temporada de Lost e tenha sido lembrado, não aacho que vá vencer. Outros grandes atores serão apenas coadjuvantes, Michael C. Hall e Hugh Laurie, para a disputa maior entre Jon Hamm e Bryan Cranston. Torço para este último ganhar.

Atriz-Comédia
Lea Michele (Glee), Tina Fey (30 Rock), Toni Collette (The United States of Tara), Edie Falco (Nurse Jackie), Amy Poehler (Parks and Recreation) e Julia Louis-Dreyfus (The New Adventures of Old Christine)

Acredito que a onda chamada Glee não conseguirá faturar esse prêmio. Então a dúvida fica entre Tina Fey já premiada e Toni Collette a última vencedora. Parece que atriz de O Sexto Sentido e Pequena Miss Sunshine continuará como a vencedora.

Ator-Comédia
Larry David (Curb your Enthusiasm), Alec Baldwin (30 Rock), Matthew Morrison (Glee), Steve Carell (The Office), Jim Parsons (The Big Bang Theory) e Tony Shalhoub (Monk)

Nomes de peso na comédia têm poucas chances como Larry David, Tony Shalhoub e Steve Carell. A menos que Matthew Morrison e a emergente Glee sejam uma grande surpresa do EMMY, Alec Baldwin deve abocanhar seu terceiro prêmio consecutivo.

Em outras categorias como Atriz Coadjuvante de Drama há muita disputa e eu aposto Elisabeth Moss de Mad Men; para Ator Coadjuavante de Drama, Terry O´Quinn de Lost; para Atriz Coadjuvante de Comédia, Jane Lynch de Glee; e para Ator Coadjuvante de Comédia, Jon Cryer de Two and a Half Man).
 
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