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Este blog é para todos aqueles que quiserem compartilhar boas formas de lazer e entretenimento, desde cinema e séries até quadrinhos e esportes. Sugestões serão sempre bem-vindas e incentivadas.



Séries- Lost

Existe vida após Lost?

Terça-feira, 25/05/2010: o dia mais contraditório da minha vida. A data que eu, ao mesmo tempo, vibrei e lamentei por ter passado. Nesse dia, Lost encontrou o seu final.

Foram 6 temporadas revolucionando a TV mundial e conquistando fãs pelos 4 cantos do planeta com suas originalidades e surpresas. Foi absolutamente magnífico acompanhar o aparecimento de tantos mistérios e acreditar em explicações cada vez mais bizarras, tudo isso a partir da mente criativa dos criadores Jeffrey Lieber, Damon Lindelof e J.J. Abrams.

Também foi magnífico acompanhar a força dramática presente no seriado com cenas tremandamente intensas e consequências ainda mais impactantes. Como esquecer o nascimento de Aaron e as mortes de Charlie e Juliet. É impossível não ter essas imagens gravadas na mente.

Vale ressaltar, então, o formato como esses mistérios e dramas foram organizadas. A estrutura narrativa altamente marcada por flashbacks, flashforwards e realidades paralelas inseridas junto ao tempo presente podem até parecer clichês, utilizada já exaustivamente pela ficção, entretanto enriquecem a trama e criam um panorama estrutural e temático complexo e interessantíssimo.

Outro elemento a ser considerado é o tema desta produção. Ela não é somente um punhado de enigmas a serem resolvidos, ou uma luta entre o Bem e o Mal, mas também uma história sobre pessoas que buscam um rumo para suas vidas (note que todos os sobreviventes do acidente aéreo não viviam fora da ilha de maneira satisfatória).

Toda essa rede de aspectos não se manifesta por tanto tempo sem as grandes atuações. Podemos citar desempenhos brilhantes e composições muito bem construídas de personagens repletos de nuançes e camadas dramáticas tão diversas: a sempre competente Elizabeth Mitchell como a Juliet; Josh Holloway vivendo dois Sawyers diferentes (na 1ªtemporada, sarcástico e difícil de se conviver; a partir da 5ªtemporada, líder e comprometido); Michael Emerson como Bejamin Linus, provavelmente o personagem mais complexo da série, um "vilão" às avessas; Terry O'Quinn interpretando dois tipos de Jonh Locke (sem maiores comentários, ou soltarei spoilers)...

Nem tudo são flores, todavia, em Lost. Alguns poucos defeitos podem ser percebidos, como Rodrigo Santoro e uma 3ªtemporada menos inspirada (ruim, não, porque dizer isto seria uma heresia). Se, então, colocarmos numa balança, os acertos superam facilmente os erros e o saldo fica mais do que positivo.

Enfim, o término de Lost deixa a TV mundial orfã de grandes e originais histórias. Apesar disso, vale a pena cultivar uma certa esperança de que a resposta à pergunta com a qual abri o texto seja um sim.








Cinema

Os usos e abusos do 3D

O cinema pode assumir várias formas e maneiras de funcionar. E, com certeza, o tipo de cinema que mais se consome hoje em dia, é o da produção industrial de filmes voltadas para o lucro e buscando um apelo cada vez maior para chegar nesse objetivo.

Até aí nenhuma novidade. Não é por nada que a aposta em franquias de sucesso com retorno amplo garantido seja uma prática mais do que comum. Hoje em dia, quando se assina um contrata para a produção de um filme, já colocam as prováveis sequências (geralmente formando uma trilogia) deste no mesmo pacote, mesmo que nem se tenha pensado num roteiro para as continuações. E é assim que a vida é.

Mais também tem um problema meio constrangedor: as pessoas não precisam mais ir ao cinema para verem um bom filme com qualidade. O acesso a dowloads de alta definição, a aparelhos de televisão e de som que só tornam a experiência de que assiste mais completa são um tanto desestimulantes para quem costumava frequentar toda semana a sala escura. Então não se trata mais de ter alguns milhões de bilheteria garantidos com a continuação do blockbuster do verão passado, mas sim de fornecer alguma coisa diferente para quem se dispuser a sair de casa e pagar pelo ingresso. Particularmente, acho que a tecnologia 3D, especialmente de 2009 para cá, foi a grande escolhida como solução para esses problemas que tiram o sono dos grandes produtores.

Não querendo ser previsível mas já sendo (e muito), basta pegar o exemplo que melhor mostra o quanto a indústria está colocando sua fé na tecnologia: Avatar. Já houveram muitos filmes feitos em 3D, a existência da maioria pode ser ignorada tranquilamente, mas o que se pode observar é que esse tipo de produção busca dar um destaque ao fato de terem coisas saltando da tela na sua direção, sem se importar muito para pequenas coisas como roteiro, personagens, narrativa, etc, e com Avatar não poderia ter sido diferente. A mega alardeada produção de James Cameron teve em seu marketing “3D”, “revolução”, “inovação tecnológica” e “oh meu Deus, sua vida nunca mais será a mesma !” como palavras e termos mais do que usados e repetidos. Até aí nenhuma novidade, mas o que acontece é que o público de fato comprou a ideia de que, se não fosse para assistir no cinema, de óculos e de preferência no I-Max, não seria a mesma coisa. O desafio foi aceito e o resultado pode ser visto tranquilamente: maior bilheteria da história, indicação a vários dos principais prêmios, inclusive o Oscar, etc.

O que isso tudo quer dizer? Significa que Avatar foi a prova de fogo do 3D. A proposta prometia levar as pessoas ao cinema e cumpriu o dever com uma obra que mostra o que a tecnologia pode fazer em um filme verdadeiramente pensado para sua utilização. Até aí tudo muito legal, o problema vem com o depois.

Vale dizer aqui que, produtores de cinema de Hollywood são, antes de qualquer coisa mesmo, seres com toda a sua capacidade mental voltada para fazer dinheiro. A questão é que os meios que eles encontram para isso pode, muitas vezes, não ser tão agradável para os dois lados. Assim, a lógica que segue uma fórmula 2+2=4 diz: Título do filme+3D=$$$$$$. Beleza, tudo muito legal, como colocar isso em prática? Fazer que nem tio James Cameron e usar todo o aparato técnico digno de ficção científica disponível para fazer um 3D de saltar os olhos? É...parece legal.

“Mas espera um pouco (produtor pensando), eu tenho um filme aqui já sendo finalizado, uma pena que eu não filmei em 3D, teria sido legal. Ah, tudo bem, é só pegar o corte final, mandar para uma pré-produção e converter para 3D. É mais barato e demora pouco tempo, puxa vida, como eu sou esperto... (risada maligna ao fundo)”.

E essa onda preocupante de filmes convertidos para o 3D é que vem preocupando gente como o próprio James Cameron, que defende com unhas e dentes a concepção dos filmes desde seu início. Produções como “Harry Potter”, “O Último Mestre do Ar” e “Fúria de Titãs” já estão com suas conversões anunciadas ou concluídas. Preocupante é verificar que, no caso da última, a maioria esmagadora das críticas ressaltou a péssima qualidade do 3D, o que só serve como mais um alerta de que essa estratégia tão maravilhosa pode ser um tiro pela culatra.

Bem, acho que para os produtores fumando charutos cubanos e bebendo whisky de U$150,00 a dose isso tudo pode estar sendo como uma viagem à Disney. Mas infelizmente eu não sou um dos que está ganhando rios de dinheiro com isso, na verdade é bem o contrário. Não tenho ideia se o 3D é o futuro definitivo ou se ele é o novo cinema colorido, nem acho que dê para fazer essas comparações com alguma base. Porém, como quem adora cinema de verdade, é preocupante ver casos como o de “Fúria de Titãs” se tornarem regra. Penso que, acima de tudo, se você está pagando por aquelas hora de frente para aquela tela, você tem todo o direito de cobrar um bom uso do seu dinheiro, porque passando de certo ponto já é forçar muito a amizade.




Cinema- Crítica

Mitologia meia-boca

Existem filmes que conseguem fazer você se surpreender com o seu próprio nível de paciência.

Tudo começa com o trailer (a coisa mais pouco confiável do universo), bem legal, efeitos ótimos, uma musiquinha épica tocando no fundo e o Kraken para fechar. Até aí excelente, tem a espera, a expectativa, um atraso de alguns meses para uma conversão para 3 D (muito criticável por sinal). No fim tem a estreia com milhares de críticas negativas e desanimadoras, mas você ainda está lá, insistindo. Você paga a entrada no cinema e espera o filme começar, com esperança, mas sem expectativa.

Qual o veredito? Ainda bem que eu estava sem expectativa mesmo. “Fúria de Titãs”(Clash of the Titans no original), remake do clássico dos anos oitenta produzido pelo mestre dos efeitos especiais Ray Harryhausen é um chato que não te faz em nenhum momento querer ficar olhando mais do que dez minutos para a tela.

A história é simples e segue bem a linha do gênero épico com espadas e sandálias: temos Perseu (Sam Worthington) buscando vingança contra os deuses após sua família ter sido morta quando a fúria de Hades recaía sobre os solgados de Argos que ofenderam a imagem de Zeus. O plot com certeza não é dos mais originais, mas um roteiro razoável no mínimo conseguiria fazer algo decente e interessante com isso. Pois é, nem isso acontece.

É chato ver que a refilmagem de um filme tão querido por muita gente tenha se resumido a personagem mal construídos, atuações péssimas, cenas de ação que não fazem valer o ingresso e um 3 D que atrapalha muito mais do que ajuda.

E por falar em atuação, o que não dizer dos atores? Sinceramente não sei como Sam Worthington passou no teste de elenco. Ele tem dois tipos de expressões faciais o filme inteiro: aquelas indefinidas quando você não sabe se ele está bem, mal ou precisando de um abraço; e as caretas bizarras que ele faz quando tenta parecer zangado ou triste. Liam Neeson e Ralph Fienes (Zeus e Hades, respectivamente), são os maiores destaques do elenco e tristemente mal aproveitados, aparecendo pouco e sem brilho nenhum, dois desperdícios dentre muitos outros. Quanto ao resto dos personagens, nem tem o que dizer porque eu não me lembro de nenhum deles. Sério, as pessoas vão morrendo e isso não tem importância, ninguém vai ligar para eles. Perseu deve ter tido uns 500 companheiros de viagem nesse filme, todos chegando e saindo tão rápido que não se vê ou entende nada direito.

As cenas de ação resumem tanto a qualidade do filme que para mim me pareceu mais legal ficar mexendo no celular ou conversando com quem estava do meu lado do que prestar atenção nos diálogos sem propósito ou nos dramas de novela das 8:00. No quesito monstros gigantes realmente ninguém poupou esforços: escorpiões gigantes, cobras gigantes (medusa de arco e flecha usando top?), tartarugas gigantes (o Kraken interpretava melhor que o Sam Wortihngton). E a trupe feliz de Perseu vai passando por esses bichos como uma party de RPG, upando levels para poder pegar um animal cada vez maior.

Infelizmente esse “Fúria de Titãs” não honrou o original em hipótese alguma. Chato que a temporada de blockbusters não emplaque filmes que saibam dosar qualidade de roteiro com quantidades de CGI, aí temos que ficar só com casos raros como “Homem de Ferro 2” para poder ter diversão descompromissada que não nos trate como crianças de 2 anos.

Nota: 3


Cinema

Marvel Studios: Homem de Ferro

Infelizmente, mesmo com toda uma roupagem nova para o Hulk em seu segundo filme, a Marvel não conseguiu o seu hit de bilheteria em 2008 com o verdão. Porém, esse problema foi mais do que resolvido com a estreia de “Homem de Ferro” algumas semanas depois.

Mantendo a mesma lógica de “O Incrível Hulk” o início da franquia do vingador dourado tem sua quota de mensagens escondidas que dão pistas do que está sendo planejado para o futuro. E, se o filme do ferroso não decepciona como entretenimento e diversão de começo ao fim, também não deixa de fazê-lo como ponte para os futuros projetos da Marvel nos cinemas.

Agente Coulson


Se em “O Incrível Hulk” a participação da Shield se limitava a um logotipo numa tela de computador, aqui as coisas mudam bastante de natureza. Após a fuga de Tony Stark do cativeiro, começa a aparecer no decorrer do filme um tal de agente Coulson (Clark Gregg), pedindo uma reunião com Stark em nome da Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão.

O que isso quer dizer? A Shield, como toda boa organização internacional ultra-secreta que se prese, já tem conhecimento do que Tony vinha fazendo no porão dele e passa a se interessar no que vem mantendo-o tão ocupado.

O que isso quer dizer [2]? Aquilo que vimos no filme do Hulk não foi só uma referência para meia duzia de fãs. No Universo dos filmes da Marvel Studios, a Superintendência realmente existe e não está simplesmente observando tudo passivamente. E se a tendência de Homem de Ferro e sua continuação se mostrar verdadeira, parece que ainda veremos muito mais da agência num futuro próximo.

P.S.: o agente Coulson já tem participação confirmada no filme do Thor que estreia em 2011 (falaremos mais disso na parte exclusiva para “Homem de Ferro 2”.)

3 segundos para dizer onde está o escudo


Algum tempo depois que Homem de Ferro saiu nos cinemas, começou a circular essa screen shot aí em cima que gerou certa polêmica.

Por que isso tudo? Você tá vendo o braço direito do tio Robert Downet Jr.? Então, logo embaixo dele, em cima de uma mesa mais atrás na cena. Dá para ver uma estrela e uns círculos concêntricos alternando as cores azul, branca e vermelha? Isso te parece familiar?




Óbvio que na ocasião teve gente que ficou maluca com isso e começou a considerar as mais diversas possibilidades (se as Indústrias Stark estão ligadas à produção do soro do super soldado e ao Projeto Renascimento – já comentado no post de “O Incrível Hulk” – então come Tony está encaixado nisso tudo e, se ele está, será que o Capitão América já está na ativa quando o primeiro Homem de Ferro acontece?). Mas também tiveram alguns céticos que não deram muita bola (eu me incluo nesse grupo) dizendo que era só um detalhe para fã ver e nada mais. Ah, como eramos ingênuos e inocentes naquela época.

Senhoras e Senhores, com vocês, Coronel Nick Fury




Ai, ai....tempos sombrios quando as cenas pós-créditos só serviam como um brinde para quem teve paciência de esperar até o fim da exibição. Hoje, se você vai ver um filme da Marvel Studios é sua obrigação moral e ética ficar até o final. Coisas estão acontecendo e não é só porque o filme acaba que isso quer dizer que você pode parar para respirar um pouco e beber uma água. Se assistir “Homem de Ferro” só te faz aproveitar o tempo presente, depois dos créditos você só quer mesmo é que os próximos anos cheguem logo (especialmente 2012).

São só alguns segundos, que dizem tudo que precisamos e queremos ouvir. Tony Stark entra em casa e encontra todo o sistema de computadores desligado. Na sua sala tem um homem olhado pela janela, ele começa a falar: “'Eu sou o Homem de Ferro'. Você acha que é o único super herói no mundo? Senhor Stark, você faz parte de um universo muito maior, só não sabe disso ainda.”; “E quem é você?”(Tony Stark); “Nick Fury, diretor da Shield. Eu estou aqui para falar da Iniciativa Vingadores.”

Sinceramente, não preciso dizer mais nada, preciso?



Esportes




"The Special One" (O Especial)

Esta era a forma como a torcida do Chelsea se referia ao técnico José Mourinho, responsável por 2 títulos do campeonato inglês em 2005 e 2006. Agora, passados 4 anos podemos pegar emprestado esse termo para retratar José Mourinho como técnico da Internazionale de Milão.

O técnico português pode ser considerado o principal fator que permitiu ao clube italiano conquistar a Liga dos Campeões após 45 anos de jejum, por ter aliado 2 virtudes consideráveis: um sistema defensivo forte com grande obediência tática e um ataque refinado e competente.

A defesa reunia jogadores em ótima fase, como Júçio Cesar, Maicon, Lúcio, Samuel, Cambiasso e Zanetti e uma enorme cooperação dos atacantes na marcação (o jogo contra o Barcelona no Camp Nou, em que Eto'o e D. Milito atuaram marcando pelos lados do campo, mostra isso). Além disso, jogadores de frente vivendo os melhores momentos de sua carreira: Sneijder e D.Milito.

Outro mérito da Internazionale foi aproveitar as brechas do mercado, fazendo contratações muito interessantes economicamente: Lúcio (abandonado pelo B.Munique), Thiago Mota e D.Milito (comprados a peso de ouro junto ao Genoa) e Eto'o (vindo numa troca por Ibrahimovic e uma boa soma em dinheiro com o Barcelona).

E todas essas virtudes da Inter apareceram, comprovando o bom trabalho, no confronto contra o B.Munique, este clube, é verdade, muito dependente de Robben, mas também um time de resultados expressivos ao eliminar, por exemplo, a Juventus e o Manchester United.

O título da Uefa Champions League, então, coroou a excelente temporada da Inter. Nesse momento, porém, ela deve passar por uma reformulação, pois, voltando ao "The Special One", ele em breve deve acertar com o R.Madrid e levar consigo alguns jogadores campeões (Maicon pode ser o primeiro).


Cinema

Marvel Studios: O Incrível Hulk

Antes de começar com as teorias conspiratórias e mensagens subliminares que vão explodir suas cabeças, vale fazer alguns esclarecimentos. Primeiro de tudo: “O Incrível Hulk” de 2008 não é, nunca foi nem pretendeu ser uma continuação do filme dirigido por Ang Lee em 2003. Como já foi dito rapidamente antes, ao recuperar os direitos do personagem que inicialmente pertenciam a Fox, a Marvel Studios se prestou a uma abordagem diferenciada, até porque o primeiro Hulk não teve um bom resultado nas bilheterias não muita aceitação frente ao público. Segundo: com uma nova proposta em mente, a ideia para esse recomeço da franquia foi justamente iniciar a construção do universo Marvel com personagens interagindo entre si e tendo conhecimento uns dos outros e dos elementos que os cercam. Então, o objetivo das próximas linhas é tentar deixar claro, da melhor maneira possível, o quanto o novo filme do Golias Esmeralda dialoga com os mundos de outros heróis Marvel.

As origens do Abominável e o soro do super soldado

No segundo filme do Gigante Esmeralda temos como principal antagonista, ao lado do General Ross, o agente Emil Blonsky que durante o filme se torna o monstro Abominável.

As origens do vilão nos quadrinhos é muito semelhante à do filme: tentando repetir o experimento que transformou Bruce Banner no Hulk, Blansky faz se expões à radiação gama. A grande diferença entre os dois personagens é que, enquanto Banner pode retornar ao seu estado de humano após o fim de seus acessos de fúria, Blonsky não consegue sair de sua forma mutante. Nos comics, a explicação para essa distinção é que a quantidade de radiação descarregada no corpo do Abominável foi muito superior ao absorvido pelo Hulk. No entanto, em “O Incrível Hulk” as razões são outras, e funcionam para se estabelecer uma ligação muito forte com os filmes do Homem de Ferro e a futura produção do Capitão América.

No filme, Emil Blonsky é o único sobrevivente de uma operação de tentativa de capturar Bruce Banner no Brasil. Interessado no desempenho do agente, o General Ross vê uma boa oportunidade de retomar o Projeto Renascimento (que criou o Capitão América) tendo Blonsky como principal voluntário. E é essa a principal alteração em relação às duas mídias: no filme, o Abominável é racional e não pode voltar a sua forma humana por causa da radiação Gama reagindo ao soro do super soldado que Emil já tinha no seu corpo.

Essa adaptação na origem do vilão não é gratuita, muito pelo contrário. Com ela, começam a ser dadas as primeiras pistas da existência de um plano maior para as produções Marvel Studios: a Operação Renascimento realmente existiu e há até uma parte que dá a entender que ele está diretamente ligado às Indústrias Stark e ao pai de Tony Stark, Howard Stark, durante a década de 40.



A onipresente Shield


Num momento de “O Incrível Hulk”, Bruce Banner vai se encontrar com o cientista que pode ajudá-lo a se livrar dos efeitos da radiação Gama e de suas transformações. A última troca de e-mails dos dois, no entanto, é rastreada pela equipe comandada pelo Gal. Ross para capturar Banner. Por enquanto tudo bem, mas o principal ponto é que, quando começam a rastrear os endereços de e-mail esse símbolo aí em cima aparece. Como eu penso que muita gente não conhece tanto assim da Marvel para pegar a referência, acho que vale a pena explicar um pouco.

A Shield (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão aqui no Brasil), é a mais importante organização internacional do Universo Marvel. Tanto a sigla quanto o nome por extenso já deixam bem claros os seus objetivos e funções: ser um escudo protetor para o planeta terra, evitando desastres e incidentes relacionados a elementos super poderosos. Afinal, nada mais obvio que uma realidade com homens verdes gigantes e super fortes e terroristas internacionais mutantes tenha uma agência própria para lidar com isso. Então, não seria nada estranho que ela desse algum tipo de apoio para uma operação ligada a um risco como o Hulk.

Além do mais, colocando a Shield no meio da trama, mesmo que de forma modesta, se fixa mais uma vez a ideia de que o universo desse filme não se limita somente ao Hulk, Abominável e companhia. Porém, em compensação, a última cena do filme pode ser tudo, menos modesta.

Quando Tony Stark faz seu cérebro derreter


Talvez eu vá repetir muito isso nos próximos artigos mas vale começar a dizer a partir de agora que ninguém, N-I-G-U-É-M, até a Marvel Studios, quando se fala de adaptações de quadrinhos para o cinema tinha sido tão bem sucedida no que diz respeito a criar uma expectativa gigantesca para as próximas produções usando apenas cenas curtas ao final dos filmes.

Em 2008, tudo isso muda. Se durante o filme, nós começamos a sentir que alguma coisa estava acontecendo bem debaixo dos nossos narizes, todas as dúvidas desaparecem nos momentos finais de “O Incrível Hulk”: a cena começa num bar onde o Gal. Ross está afogando as mágoas e segundos depois, como se fosse a coisa mais comum do mundo, Tony Stark, a.k.a Homem de Ferro, surge do nada e fala para o General Ross sobre um problema em comum e sobre estar montando uma equipe...

Se você não sabe, o principal grupo de heróis da Marvel (o equivalente da Liga da Justiça) são Os Vingadores. Agora, uma rápida sessão de perguntas e respostas:

Sabe quem foram os primeiros personagens a fazerem parte dos Vingadores nos quadrinhos?
Thor, Homem de Ferro, Capitão América, Vespa, Homem Formiga e Hulk.

Sabe de quantos desses personagens a Marvel tem os direitos de fazer filmes?
Todos.

Sabe quantos desses personagens já tiveram ou terão filmes produzidos pela Marvel Studios?
4 (Capitão América e Thor para 2011).

Acho que eu não estou ficando maluco com tudo isso por nada, não é?







Quadrinhos

Sim, ele usa cueca por cima da calça. Mas no fundo é um cara legal

Acompanhar quadrinhos é algo muito complicado. Se você faz isso no Brasil é ainda pior.

A palavra difícil, com certeza é a que mais se escuta: difícil de saber como, o que e quando começar a ler; difícil de comprar pelos preços muitas vezes pouco atrativos; difícil de encontrar dependendo do local onde se mora... No geral, é muito triste dizer que os contras estão ganhando dos prós.

Mas sempre que puder, vou tentar dar algumas dicas para quem está interessado em ler alguma coisa relacionada a essa mídia que apresenta uma variedade grande de materiais disponíveis, basta mesmo uma ajuda para saber onde procurar.

Histórias em quadrinhos de super-heróis são, definitivamente, as mais populares entre os leigos no assunto. Se alguma comparação é válida, os heróis com seus colãs e poderes são uma espécie de equivalente àquele cinemão hollywoodiano de blockbusters e filmes de verão com que estamos acostumados. Mas é preciso deixar claro que dizer isso não é o mesmo que tentar diminuir esse gênero. Muito pelo contrário na verdade, porque nem toda revista do Batman, por exemplo segue esse padrão, e se seguir não quer dizer que pode ser criticada justamente por isso.

Para que tanta enrolação? Só para poder dizer que, nesse mês de Maio está chegando às bancas a edição 90 da revista Superman (84 páginas, R$6.50, periodicidade mensal). Esse número apresenta duas coisas interessantes: a primeira parte (de seis) de uma minissérie que reconta a origem do homem de aço, então se você só conhece a história do surgimento do super bem por alto, essa é uma boa chance de saber mais sobre o seu surgimento; o resto da revista apresenta uma história curta da Supergirl e, mais interessante, uma série de fichas técnicas sobre personagens (alguns conhecidos, outros muito pouco) que são e serão muito importante para os próximos números, assim, é um bom resumão para o que está por vir.

A história principal mesmo é a Origem Secreta, que fala mais uma vez dos primórdios da vida de Clark Kent em Smallville e o início de sua transformação no maior herói da terra. Apesar de recontar pela milésima vez uma história que todo mundo conhece, até eu (que já devo ter vista umas 874 origens diferentes para o personagem) me empolguei com o roteiro simples mas muito cativante de Geoff Johns (do qual ainda vou falar muito no futura) e a arte lindíssima e narrativa eficiente do desenhista Gary Frank. Como já disse antes, ser uma típica e convencional história de super heróis não é sinônimo de baixa qualidade. Na verdade é o inverso: esse é justamente o principal atrativo. Vale muito apena para velhos e novos fãs.

Já as fichas servem mais para quem começou a ler a pouco tempo e servem como uma boa base para os próximos arcos de histórias das revistas mensais regulares que são todas publicadas nesse mesmo mix (no original norte-americano: Superman e Action Comics que vão se alternar de mês em mês; além da já citada Origem Secreta e da também minissérie World of New Kripton – totalizando três publicações por edição brasileira).

Bom, não sei se é o bastante de pontos positivos para compensar os negativos. Apesar de um preço alto para o número de páginas vendido (serão75 a partir dos próximos números) e dos problemas de não ter lido histórias anteriores, espero que a qualidade da edição por si só sirva para fazer vista grossa a essas questões.
 
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