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Este blog é para todos aqueles que quiserem compartilhar boas formas de lazer e entretenimento, desde cinema e séries até quadrinhos e esportes. Sugestões serão sempre bem-vindas e incentivadas.

Live, from New York


Não sei se alguém já ouviu falar do programa Saturday Night Live, então vale dizer que ele é um programa de comédia dividido em quadros (os sketchs) que variam desde apresentações musicais até o que você puder imaginar. O SNL é um dos mais longevos programas da história da TV americana, já passando dos trinta anos de idade e quase chegando aos quarenta. Muitíssimo inspirado por Monty Python (que vai ter um post próprio alguma hora), ele foi adaptando o nonsense britânico para os EUA e acabou criando um estilo todo seu de humor com um sucesso e qualidade que podem ser vistos até hoje.

Outra coisa interessante é que essas noites de sábado ao vivo também serviram para vários artistas, hoje famosos, serem postos em teste para o público pela primeira vez. Pensar em nomes como Will Ferrel, Eddy Murphy e Mike Myers se deve muito ao começo da carreira desses caras nos shows ao vivo no palco do SNL. E dentre vários desses destaques, tenho que citar dois que vão servir pro que eu quero falar agora: John Belushi e Dany Aykroyd.


Os irmãos do Blues

Alguns quadros do Saturday Night Live, com seus personagens e temática chegaram a virar filmes. Alguns dos menos desconhecidos são os dois “Quanto mais idiota melhor” e “Cômicos e Cônicos”, não tenho muito o que falar desses aí que já são da década de 1990, uma década meio esquisita para muita coisa ligada a entretenimento (alguém acha que Backstreet Boys foi algo normal?).

“The Blues Brothers”, ou “Os Irmãos Cara de Pau” no Brasil, conta a história dos irmão Elwood (Aykroyd) e Jake (Belushi) tentando salvar o orfanato em que viveram após a saída de Jake Blues da prisão, para isso eles vão ter que reunir a Blues Brothers Band para um último show. “Tá, e daí?”, você me pergunta depois dessa sinopse ridícula. A questão é que não é só “salvar o orfanato e as criancinhas”, é “salvar o orfanato e as crianças com números musicais fodas, um elenco de explodir cabeças e a dupla Aykroyd-Belushi no seu auge como comediantes fazendo você passar mau de tanto rir”.Então, quando eles vão na Igreja pra tentar descobrir o que fazer quanto ao orfanato, eles não ficam lá de joelhos, orando e pensando na vida. Estamos flando de Blues Brothers e quando você vai à Igreja aqui você encontra James Brown como padre liderando um coro de gospel e soul que vai te fazer ficar cantarolando a mesma canção durante toda a semana.

Falar da soundtrack do filme é falar do elenco. O que não faltam são monstros da música como Aretha Franklin, Ray Charles, o já comentado James Brown e John Lee Hooker dando um show de talento a cada segundo que tem na tela. Os próprios protagonistas e a banda têm cenas e canções fantásticas, tudo misturando muito humor e uma cena de perseguição de carros mega divertida no final.

E se hoje Dany Aykroyd parece ter desaparecido das telas e dos filmes bons já há algum tempo e Belushi ter tido um empurrãozinho de uma overdose de cocaína para nos deixar mais cedo, vale ver ou rever esse grande filme. Se você tem preconceito com musicais, esqueça tudo, porque não tem musical mais divertido e indispensável que “The Blues Brothers”. Apesar de uma continuação que não fez jus nenhum ao original, vale à pena pegar o primeiro e (pra mim pelo menos) único pra nunca se arrepender.

Quadrinhos


Já faz um tempo que os roteiristas de histórias em quadrinhos começaram a querer dar um significado mais profundo para algo como a existência dos super-heróis. Desde a metade da década de 70 (ou antes até) que os caboclos voadores de collan nas HQ's norte-americanas começaram a ter uma importância mais verdadeira no universo em que existem. Não se trata mais de seres que salvam gatos da árvore, derrubam o lagarto gigante da semana e se limitam a receber só uma salva de aplausos de quem estava assistindo para mês que vem fazerem tudo de novo. Quando se começou a pensar no que pessoas assim significariam para o mundo é que os quadrinhos (ou arte sequencial para quem não gosta da expressão) tomaram um novo caminho.

É difícil apontar para um único divisor de águas nesse momento. Mais convencional seria falar de Whatchmen, que puxou os heróis de volta ao chão mostrando como eles afetavam o mundo ao redor e vice-versa. Marvels também valeria por mostrar o ponto de vista das pessoas comuns, seus medos e esperanças sobre os Vingadores, Hulk e Surfista Prateado que passavam por cima de suas cabeças todos os dias. Mas, se formos pensar dessa forma, até o papel Homem-Aranha na década de 60 já era criticado pelo Clarim Diário, jornal presente em suas próprias histórias. Assim, estabelecer marcos ou momentos de mudança fixos é muito, muito complicado, porém tentar encaixar essa ou aquela história como seguidora dessa nova tendência das HQ's não é tão difícil assim.


“O Reino do Amanhã” (Kingdom Come – DC Comics) pode ser classificado como produto dessa geração de escritores e desenhistas que pensavam tanto os quadrinhos quanto seus personagens de maneira diferentes. A minissérie em quatro edições mostra um futuro distópico onde Superman, Mulher Maravilha e todos os grandes representantes do que era ser um herói no princípio deram lugar a uma multidão de pseudo-heróis super-poderosos e igualmente violentos que não herdaram a preocupação de seus antecessores com a vida, afundando-se cada vez mais em lutas e destruição que acabam afetando os inocentes ao redor. Quando a irresponsabilidade e inexperiência desses novos super-seres causa um acidente catastrófico, a Liga da Justiça vê que é a hora de intervir como já devia ter feito há muito, porém esse é só o princípio do Armagedom que vai trazer o fim de todos os heróis ou da própria humanidade. E é dever do pastor Norman McCay ser a testemunha desse grande desastre e exercer um papel fundamental em sua conclusão.

Terminando de ler “O Reino do Amanhã”, não é tão simples entender porque essa é uma história tão importante e reverenciada. Claro que lá tem todo um ar meio épico, cenas de luta e batalhas lindas, além de ser muito divertido ver as versões futuristas dos grandes ícones da DC, mas até aí nada de tão especial assim. O que eu percebo no roteiro de Mark Waid é um forte sentimento de nostalgia e homenagem aos verdadeiros super-heróis. Num momento como a década de 90, em que a tendência das editoras era apostar em enredos mega violentos com personagens armados até os dentes, musculosos e muito mal desenhados, o “escoteiro chato” que era o Superman parecia não ter mais espaço para continuar sendo o que sempre foi, talvez deveria se entregar às mudanças. É inevitável ver as comparações que Waid quis passar na minissérie. Os tempos são outros, mas os símbolos e capas do passado são mais necessários do que nunca e é com Norman McCay que temos a principal ponte de ligação entre o leitor e a história. Ele dá o toque de humanidade como quem viu deuses andarem pela terra e agora tem que se ver de frente com o Apocalipse que eles mesmos causaram. Norman passa toda a sensação de impotência dos seres humanos que se veem encolhidos frente a poderes que não pode controlar, marcando os capítulos com as citações bíblicas que dão a contagem para o fim de tudo.

Além do pastor, muito destaque é dado ao Superman e Mulher Maravilha. Confesso que não gostei muito do azulão e da amazona nessa história mas consigo entender que a melancolia, frustração e agressividade dos dois era compreensível quando eles viam o mundo desabar ao seu redor não importa o quanto se esforçassem. Durante as edições mais razões são mostradas para os estados de espírito alterados de ambos, mas mesmo assim achei meio chato ver um Superman tão inseguro e desolado a toda hora.

Falar da arte mereceria um post a parte só para puxar o saco de Alex Ross. O artista tinha se destacado alguns anos antes em Marvels com seu estilo de desenho pintado de forma realística. O efeito que isso provoca dá humanidade aos personagens ao mesmo tempo que consegue engrandecer ainda mais os que já possuem força e velocidade sobre-humanas. Ross consegue dar dinamismo às suas pinturas ao mesmo tempo que enfia dezenas de personagens num mesmo quadro e se hoje ele se ocupa mais como capista, “O Reino do Amanhã” é uma excelente oportunidade de vê-lo trabalhando no miolo de uma revista.

Não sei se posso chamar “O Reino do Amanhã” de um verdadeiro clássico, acho que existem obras muito maiores em qualidade e importância do que esta. Mas ao mesmo tempo seria besteira ignorá-lo e chamá-lo de dispensável. Seja pela arte ou pelo roteiro, há razões de sobra para esse pequeno épico estar na prateleira de qualquer um.

Henry Selick: um ilustre desconhecido


Existem pessoas que trabalham no ramo do entretenimento (seja escrevendo, filmando, produzindo ou atuando) que simplesmente não conseguem a projeção necessária para serem lembradas e citadas casualmente. Existem várias razões para isso: falta de talento mesmo; poucas ou nenhuma oportunidade de mostrar o talento que têm; um reconhecimento injustamente modesto pelos trabalhos já feitos. E se há alguém que se encaixa na última categoria, esse alguém é Henry Selick.

Se você nunca ouviu falar desse nome, não tem problema nenhum, muito pouca gente conhece os trabalhos desse diretor ou já viu algum de seus filmes, mas simplesmente não ligou muito para sua presença nos créditos. Tendo na sua cinebiografia obras que nem meia dúzia de caboclos deve ter visto, Selick se destaca por fazer filmes bizarramente divertidos, com destaque para a parte do bizarro. Se você já viu “Monkeybone” e “Retorno a Oz” sabe do que eu estou falando e se não faz a menor ideia do que são esses filmes, dê uma rápida olhada no youtube para perceber que não foi pouco ácido que o cara ingeriu para começar a filmar.

Mas são de alguns filmes específicos dele de que eu quero falar. O mais estranho de Henry Selick não são só seus trabalhos, mas também o fato de, por causa de alguns deles, ser muito confundido com outro diretor (esse, mil vezes mais reconhecível) que traz uma estética muito semelhante no seu estilo: Tim Burton.

A ideia aqui é fazer um breve TOP 3 com os filmes de Selick que mais fazem as pessoas confundi-lo com Burton (ironia ou não, são esses três para mim suas melhores obras). Então vamos aos escolhidos:


  1. O Estranho Mundo de Jack

Sim, acreditem se quiserem: não foi Tim Burton quem dirigiu o adorado e conhecidíssimo Nightmare Before Christmas de 1993. E se tem uma razão para Henry Selick não ser lembrado como diretor desse filme é porque muita gente pensa o contrário.

Para escapar de qualquer suspeita é só dar uma olhada nos créditos e ver que Burton é só produtor do filme, mas é muito comum que se pense imediatamente neste quando se lembra do estilo infantil-gótico e no humor negro da aventura de Jack.

Apesar das semelhanças e aparências, seria injusto tirar o mérito de Selick como verdadeiro pai do cabeça de abóbora. A qualidade que apresentou nesse trabalho viria a se repetir em outros posteriores sempre mantendo seu estilo que não imita o de Burton (muito pelo contrário), mas sim desenvolve uma personalidade própria com base numa temática em comum. Exemplo tosco com certeza, no entanto dá para dizer (forçando um pouco) que, se Selick é uma xerox de T. B., o mesmo vale para “Uma Família da Pesada” (Family Guy) e “Os Simpsons” ou “Fringe” e “Arquivo X” (X Files).


  1. James e o Pêssego Gigante

É difícil dizer se esse aí é um filme tão pouco assistido assim. Conversando com várias pessoas eu pude ver que, para muita gente, “James e o Pêssego Gigante” foi algo muito presente durante a infância, mas, parece até maldição do Selick, ele é muito pouco lembrado.

Mas uma vez usando a técnica do Stop-Motion (onde a animação é feita filmando, quadro por quadro, a movimentação dos modelos dos personagens feita à mão), o diretor só reforça que é um dos poucos que consegue fazer coisas incríveis com um modelo de filmar já tão desvalorizado.

O filme em si parece um grande conto fantasioso que usa e abusa de todos os clichês possíveis: temos um protagonista e sua jornada, os coadjuvantes (um mais bizarro que o outro) seguindo os mais diversos arquétipos (a centopeia bom vivant, o grilo sábio, a joaninha como figura materna, etc.). Mas, só porque segue uma fórmula já estabelecida, não há demérito nenhum na simplicidade de "James e o...". Na verdade, a maior das qualidades do filme é que ele não tenta ser algo que não é, só basta entender a ideia que ele quer passar.

  1. Coraline


Se há quase vinte anos atrás se podia respeitar Henry Selick por dar continuidade à tradição dos Stop-Motion com seus longas animados, o que dizer quando ele continua a fazer isso hoje, quando a computação gráfica domina a indústria do cinema, e ainda em 3D?

Muitas décadas atrás, filmes como o “King Kong” original, “Jasão e os Argonautas” e “Simbah, A Lenda dos Sete Mares” impressionavam tanto quanto um “Avatar” o faz hoje em dia. Os efeitos especiais analógicos viveram, com estas produções, uma época de ouro em que a criatividade, o esmero e o cuidado estavam acima de orçamentos. Atualmente, a realidade é completamente diferente, tornando algo tão peculiar (acho que essa é a melhor palavra) quanto “Coraline” merecedor de uma recomendação.

Primeiro de tudo, o filme é baseado no livro infantil de Neil Gaiman, adaptando a obra deste que é um dos mais cultuados e prestigiados escritores dos últimos tempos (muito mais sobre ele em posts futuros com certeza). A produção segue bem fiel ao original, tendo sido acompanhada bem de perto e aprovada pelo próprio Gaiman.

Como já foi dito antes, se trata de uma animação em Stop-Motion. O que demonstra muita coragem, uma vez que se pode contar nos dedos aqueles que ainda tem disposição para encarar o trabalho monumental que é filmar com essa técnica (pode-se citar Tim Burton com “A Noiva-Cadáver”, a Aardman Animations – “Fuga das Galinhas”, “Wallace & Gromit”). Como se não bastasse, fazer tudo isso apostando num planejamento de filmagem todo voltado para o 3D (isso quer dizer que não são só coisas voando na sua cara).

O resultado final é uma animação que não deve em nada aos super-orçamentos de computação gráfica, uma história que não procura as facilidades e lugares comuns de outras produções e mais um ponto alto na carreira de Henry Selick que, espero eu, tenha ainda muitos outros trabalhos pela frente junto com um reconhecimento maior por tudo que tem feito até hoje.



Esportes- Copa do Mundo


Quartas-de-final

Holanda2X1Brasil
Partida com 2 tempos completamente diferentes. Na 1ª etapa, o Brasil apresentou a sua melhor atuação na Copa: dominou a seleção holandesa, articulando boas jogadas ofensivas com um desempenho consistente de Robinho e anulou as maiores virtudes do adversário (Sneijder esteve sumido e Robben não conseguiu realizar a sua jogada de vir do lado direito, cortar para dentro e chutar). Mas o maior pecado do Brasil foi só ter feito 1 a 0 e não ter matado o jogo.

Na 2ª etapa, tudo deu errado: o Brasil sofreu, logo no início, um raro gol com falha de Júlio Cesar, se abateu, não conseguiu mais ter a posse de bola com qualidade, foi envolvido, sofreu a virada e por fim ficou 1 jogador a menos após a expulsão de Felipe Melo. Nessas circusntâncias, a seleção brasileira não conseguiu reagir e cedeu frente aos holandeses.


Uruguai1X1Gana Pênaltis: Uruguai4X2Gana
Um confronto que pode ser considerado um dos melhores jogos da competição. No começo, o Uruguai mostrou-se melhor criando situações de maior perigo de gol sem, contudo, aproveitá-las. Isso permitiu com que Gana evoluisse e fosse, aos poucos, avançando seus jogadores e produzindo bons lances a partir da metade do 1º tempo que levaram ao gol de Muntari.

A 2ª etapa foi marcada por um extremo equilíbrio com as 2 equipes se revezando no ataque. O Uruguai obteve o empate com a cobrança de falta de Forlán. O final do jogo foi muito emocionante com a expulsão do uruguaio Luis Suárez e o pênalti perdido pelo ganense Asamoah Gyan.

A partida foi levada para uma prorrogação também cheia de equilíbrio que não contou com um vencedor. Nos pênaltis, o melhor aproveitamento do Uruguai o fez chegar às semi-finais.


Alemanha4X0Argentina
Um duelo claramente de opostos: o jogo coletivo da Alemanha em alta velocidade explorando toques precisos pelos lados do campo e as individualidades da Argentina altamente dependentes das arrancadas e da criatividade de Messi.

O estilo alemão prevaleceu. O gol marcado por Muller no início do jogo permitiu aos europues esperar mais e sair com rapidez nos contra-ataques, aproveitando a insegura defesa argentina.

A Argentina em desvantagem teve que sair com tudo para o ataque, mas em função da falta de um espírito coletivo não conseguiu superar o bem postado sistema defensivo alemão. Além disso, cedeu muitos espaços para o contra-ataque da Alemanha construir sua goleada e garantir a classificação.


Paraguai0X1Espanha
Surpreendentemente, o Paraguai adotou um sistema de marcação adiantado que dificultou e muito o estilo de jogo espanhol. Essa situação também tornou a partida truncada e nehuma das 2 seleções capaz de executar bem seus ataques.

No 2º tempo, a necessidade de conquistar a vitória tornou o jogo mais aberto e prazeroso. Nesse sentido, houve 2 lances que possibilitaram a melhoria da partida: os pênaltis perdidos por ambas as equipes. Tais momentos desencadearam altas doses de emoção e equilíbrio.

Porém, coube a Espanha, uma seleção mais farta de jogadores técnicos, decidir o jogo. O gol único, numa jogada bem trabalhada por Iniesta, Pedro e David Villa, levou os europeus à categoria de semi-finalista.


Semi-finais

Holanda3X2Uruguai
A Holanda avançou à final tendo a menos convincente das suas atuações. No 1º tempo, abriu o placar num chutaço de Bronckhorst num momento ainda indefinido do jogo. Depois disso, o Uruguai cresceu e na base da valorização da posse de bola, toques curtos e compactação dos setores chegou ao empate com Forlán.

A etapa final assistiu a um confronto mais disputado com o Uruguai mantendo a mesma estratégia e tendo chances reais de classificação. Mas foi a Holanda, que graças a uma maior presença ofensiva (Van der Vaart, Kuyt, Sneijder, Robben e Van Persie), decidiu o duelo marcando mais 2 gols.

A chegada da Holanda à final, assim como toda a sua campanha, se deceu não a um estilo de jogo bonito, mas sim a uma grande eficiência.


Espanha1X0Alemanha
O estilo de jogo alemão que vinha encantando a todos sucumbiu diante da dinâmica espanhola. É verdade que a ausência de Muller fez diferença para a Alemanha, mas também é verdade que os germânicos foram acuados na defesa e não conseguiram pôr em prática suas maiores qualidades. Os espanhóis conseguiram executar a sua principal característica de movimentação, posse de bola e troque de passes refinados que não deixaram a Alemanha criar muitas chances de gol.

Esse mesmo estilo espanhol também carrega uma de seus defeitos, por sinal bem presente na semi-final: a Espanha só tenta marcar gols bonitos e, por isso, peca por uma maior objetividade. No confronto com a Alemanha, assim como em outros jogos, a Espanha teve dificuldade em converter em gols a sua superioridade, mas novamente venceu pelo placar mínimo.

A classificação da Fúria, embora jogando talvez apenas 70% do seu potencial, chega merecidamente à final por, mesmo não repetindo grandes atuações de um passado recente, ser no geral melhor que seus adversários. Minha favorita ao título!

Séries


Será que o fim está próximo?

No último mês de junho terminou a 6ª temporada de House, transmitida pelo canal a cabo Universal Channel ao vivo às quintas-feiras às 23 horas e em reprise aos sábados às 20 horas. Aproveitando a parada desse seriado, esse post vai refletir um pouco se Dr. House, Wilson, Cuddy e cia. ainda podem fazer render outros anos tão inspirados como foram esses seis até agora.

Apesar de ainda colecionar um grande número de fãs, essa série vem sendo alvo de algumas críticas. Uma delas é o excesso de repetições de uma estrutura narrativa que dizem estar desgastada: em cada episódio aparece um caso misterioso, aparentemente sem solução, que, invariavelmente, é resolvido no final com explicações bizarras. Não posso negar que essa é a base da produção, mas nem por isso uma desvantagem. O seu espírito "sherlockiano" (prestem atenção nas inúmeras semelhanças entre House e Sherlock Holmes, como o nome do homem que atirou no médico chamado Moriarty, justamente o nome do maior inimigo do famoso detetive) com seus médicos se comportando como verdadeiros detetives, que investigam as mais misteriosas doença e um clima de mistério prenderam e despertaram não apenas a minha atenção e curiosidade, mas também a de inúmeras pessoas ao redor do mundo.

Outra crítica passa pelo seu protagonista. Algumas pessoas não mais se satisfazem em ver o ar de superiodade do Dr. House e sua capacidade, dizem forçada e entediante, de resolver sozinho vários casos médicos. Nesse ponto eu discordo fortemente: no personagem principal prevalece nem tanto essa questão anterior, mas sim, o seu humor peculiar, o uso de métodos pouco tradicionais (muitas vezes nada éticos), não confiar nos pacientes e demonstrar respeito zero pela dor de quem quer que seja. Tais características fizeram com que diversos fãs elegessem House um dos melhores personagens da TV (eu sou um deles!).

Mas como um pesonagem tão rude, anti-social e durante muito tempo viciado no medicamento Vicodin faz tanto sucesso? Simplesmente pelo fato de que o médico representa o desejo do público por algo diferente do chatíssimo politicamente correto de outras mídias. Contribuindo para isso, deve-se a brilhante atuação de Hugh Laurie, vencedor de prêmios no Emmy e no Globo de Ouro, na construção de personagem tão singular.

Esses elemento, é verdade, permanecem constantes durante todas as temporadas, porém pode-se perceber algumas novidades muito interessantes. Na 6ª temporada, foram feitos episódios com um formato bem diferente dos outros, como episódios centrados no dia-a-dia de Cuddy e Wilson e o espetacular início da última temporada, mostrando a internação de House numa clínica psiquiátrica.

Além disso, a forma como a 6ª temporada terminou (claro que não vou divulgar nenhum spoiler) deixou uma série de novas situações em aberto que podem ser exploradas futuramente pelos roteiristas. E, obviamente, todas essas situações vão continuar proporcionando momentos inteligentes, divertidos e por vezes emocionantes.

Uma coisa, entretanto, não devemos ignorar: inevitavelmente o fim está sim próximo. Não por um desgaste excessivo da estrutura ou uma queda de audiência, mas sim, porque estamos chegando ao momento crítico de que a história precisa atingir a sua conclusão. Resta aos produtores, roteiristas, diretores e atores preparar o terreno para um desfecho à altura do melhor médico que a televisão mundial já viu.


Vingança, doce Vingança

Uma coisa de que eu sempre tento fugir é daquela ideia de que produções que estão fora do eixo de Hollywood são todas muito herméticas, pretensiosas e feitas só para meia dúzia de críticos assistirem. E para mim, foi sempre interessante comprovar que o cinema não se limita somente àquele estética norte-americana com que estamos acostumados.

Por isso, nada mais justo do que dar uma chance para que o maior número de pessoas conheça este cineasta que, sem sombra de dúvida, merece ter seus filmes assistidos, mesmo que só por curiosidade: Park Chan-Wook. Infelizmente, o trabalho desse cara chega com muita dificuldade por aqui, mas as suas principais obras podem ser encontradas com certa facilidade. E é justamente delas que eu quero falar rapidamente aqui, a trinca de filmes que formam a incrível Trilogia da Vingança – Mister Vingança (Sympathy for Mr. Vengeance; 2002), Old Boy (2003) e Lady Vingança (Sympathy for Lady Vengeance; 2005).


Mister Vingança: Ryu (Shin Ha-Kyun) é surdo-mudo. Sua adorada irmã precisa com urgência de um transplante de rim. Na ausência de doadores compatíveis, Ryu recorre ao mercado negro, mas é trapaceado e perde todas suas economias, bem como o próprio rim. Ryu então é convencido por sua namorada a seqüestrar a filha de 4 anos do empresário Dong-Jin (Song Kang-Ho) para custear a cirurgia de transplante. Mas o seqüestro não funciona como esperado: a irmã de Ryu se suicida e a menina raptada morre afogada. Sem outros motivos para viver, Dong-Jin e Ryu vão preparar implacáveis planos de vingança um contra o outro.

Old Boy: 1988. Oh Dae-su (Choi Min-sik) é um homem comum, bem casado e pai de uma garota de 3 anos, que é levado a uma delegacia por estar alcoolizado. Ao sair ele liga para casa de uma cabine telefônica e logo em seguida desaparece, deixando como pista apenas o presente de aniversário que havia comprado para a filha. Pouco depois ele percebe estar em uma estranha prisão, que na verdade é um quarto de hotel onde há apenas uma TV ligada, no qual recebe pouca comida na porta e respira um gás que o faz dormir diariamente. Através do noticiário da TV ele descobre que é o principal suspeito do assassinato brutal de sua esposa, o que faz com que tente o suicídio. Sem obter sucesso, ele passa a se adaptar à escuridão de seu quarto e a preparar seu corpo e sua mente para sobreviver à pena que está sendo obrigado a cumprir sem saber o porquê.

Lady Vingança: Aos 19 anos Lee Geum-Ja (Lee Yeong-Ae) é condenada a 13 anos de prisão pelo seqüestro e assassinato de um menino de 6 anos. Ela está acobertando o verdadeiro culpado, seu namorado e professor Sr. Baek (Choi Min-Sik). Quando descobre que está sendo traída, Geum-Ja passa todo o seu tempo na cadeia preparando uma vingança para o ex-amante. Treze anos depois ela sai da cadeia e, com a ajuda de algumas ex-colegas da prisão, encontra Srr. Baek e põe em prática seu minucioso plano.
(Fonte: www.adorocinema.com)


Os três filmes, apesar de serem classificados como uma trilogia, não tem ligação nenhuma um com o outro. O único elo entre eles é basicamente a temática central e principal motivação dos protagonistas de cada um: vingança. Então, cada obra apresenta personagens que vivenciaram alguma tragédia e estão dispostos a tudo para encontrarem os culpados pelo seu sofrimento e darem para estes a retribuição devida. Apesar de não se complementarem como as três partes de uma grande narrativa (não se trata de Senhor dos Anéis), cada filme é, por si só, uma história incrível de se acompanhar até o final. Aliás, todos os três finais tem uma reviravolta que explode cabeças e provoca as mais diversas reações nos telespectadores. Talvez, o maior mérito dos trabalhos de Chan-Wook seja conseguir fazer a pessoa se sentir tão completamente envolvida na trama, que ela não consegue se sentir indiferente frente aos acontecimentos e realmente se emociona (não necessariamente de uma forma boa) com o desenrolar das situações.




Esportes- Copa do Mundo

Essa Copa pode não ser a mais brilhante tecnicamente com as seleções apresentando atuações das mais plásticas, entretanto não se pode negar que a emoção está presente quase que diariamente. Alguns exemplos disso foram certas situações emocionantes da 3ª rodada da fase de grupos, como o disputado Eslováquia3X2Itália pelo grupo F, a decisão no último minuto da classificação dos EUA com a vitória sobre a Argélia no grupo C, as chances reais de classificação de todas as seleções do grupo D (Sérvia, Alemanha, Gana, Austrália) e as brigas concretas entre Espanha, Suíça e Chile no grupo H.

Também não se pode negar que algumas partidas das oitavas-de-final foram bem disputadas e até agradáveis de serem assistidas como foi o caso de Alemanha4X1Inglaterra, Argentina3X1México e Espanha1X0Portugal. Que pena, contudo, que tivemos um confronto tão enfadonho como Paraguai0X0Japão (e vitória nos pênaltis do Paraguai) para depreciar a imagem das oitavas-de-final.

Quartas-de-final

HolandaXBrasil
Partida que promete ser muito interessante, pois qualquer uma das seleções pode avançar de fase. O Brasil, com sua sólida defesa e a regularidade de atuações de Lúcio, pode barrar o forte ataque da Holanda com Sneijder, Kuyt, Robben e Van Persie, mas encontrará grandes dificuldades. Já o eficiente e talentosom e sistema ofensivo de Kaká, Robinho e Luis Fabiano te tudo para aproveitar o ponto fraco da seleção holandesa: a defesa
Palpite: Brasil2X1Holanda

UruguaiXGana
Com ceteza, o jogo mais curioso dessas quartas-de-final. Nenhum analista poderia imaginar que essas duas seleções chegariam tão longe na Copa. Gana por ter conseguido repetir os feitos de Camarões em 1990 e Senegal em 2002 e o Uruguai por ter recuperado um pouco de sua tradição ao voltar a uma fase decisiva depois de um longo tempo. Ambas as equipes destacam-se por um eficiente sistema defensivo, mas o fato de o Uruguai, em termos técnicos e ofensivos, ter mais opções deve fazer a diferença.
Palpite: Uruguai0X0Gana (prorrogação- Uruguai1X0Gana)

ArgentinaXAlemanha
Promessa de ser o melhor jogo da Copa até agora por reunir as 2 seleções que mais conseguem atuar de forma convincente. A Alemanha, é verdade, apresenta um jogo coletivo mais consistente com destaque para Lahm, Schweinsteiger, Ozil e Muller, mas a Argentina possui Lionel Messi, o atual melhor jogador do mundo. Messi ainda não marcou na Copa, por isso os deuses do futebol devem estar reservando algo especial e acredito que seja a classificação da sua seleção com uma atuação de gala do seu principal jogador.
Palpite: Argentina3X2Alemanha

EspanhaXParaguai
A seleção espanhola vem evoluindo desde a estreia quando perdeu para a Suíça, mas ainda está abaixo de todo o seu potencial, visto o baixo número gols marcados (6 gols em 4 jogos. Já o Paraguai vem apresentando uma equipe bem organizada e consciente de suas limitações, que, no entanto, acredito já ter chegado ao limite na Copa. Boa oportunidade para a Espanha deslanchar rumo às semi-finais.
Palpite: Espanha3X0Paraguai
 
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